OMS: mundo deve atingir 10 milhões de casos de COVID-19 na próxima semana

O mundo está a caminho de atingir 10 milhões de casos de novo coronavírus na próxima semana, disse o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) na quarta-feira (24), lembrando que, à medida que pesquisas continuam para terapias e vacinas, são necessários mais esforços para suprimir a transmissão e salvar vidas.

Profissional de saúde coleta amostras para teste de COVID-19 no Hospital Estadual Mimar Sinan, em Istambul, Turquia. Foto: PNUD Turquia/Levent Kulu

Profissional de saúde coleta amostras para teste de COVID-19 no Hospital Estadual Mimar Sinan, em Istambul, Turquia. Foto: PNUD Turquia/Levent Kulu

O mundo está a caminho de atingir 10 milhões de casos de novo coronavírus na próxima semana, disse o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) na quarta-feira (24), lembrando que, à medida que pesquisas continuam para terapias e vacinas, são necessários mais esforços para suprimir a transmissão e salvar vidas.

Dirigindo-se a jornalistas de Genebra durante a coletiva de imprensa regular da agência, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que mais de 9,1 milhões de casos de COVID-19 foram relatados até agora e mais de 470 mil mortes. No último mês, quase 4 milhões surgiram.

Por outro lado, ele disse que menos de 10 mil casos foram notificados no primeiro mês do surto.

Oxigênio salva vidas

Fornecer oxigênio para quem precisa é uma das maneiras mais eficazes de salvar vidas, disse ele. Essa tem sido uma área de intenso foco para a OMS desde o início do surto, já que pacientes em condições graves e críticas não conseguem respirar normalmente e trazer suficiente oxigênio para a corrente sanguínea.

Deixada sem tratamento, a COVID-19 grave priva as células e os órgãos de oxigênio, explicou Tedros, levando à falência e morte de órgãos.

O oxigênio medicinal é criado usando concentradores que extraem e purificam o oxigênio do ar. Na taxa atual de 1 milhão de novos casos por semana, o mundo precisa de 620 mil metros cúbicos de oxigênio diariamente, disse ele – o equivalente a 88 mil cilindros grandes.

No entanto, o chefe da OMS e ex-ministro da Saúde da Etiópia disse que muitos países têm dificuldade em obter concentradores, já que 80% do mercado é de propriedade de apenas algumas empresas. A demanda está superando a oferta.

Para diminuir a escassez, a OMS está comprando concentradores para os países que mais precisam, disse Tedros, e as conversas em andamento com os fornecedores levaram à compra de 14 mil, que a OMS enviará para 120 países nas próximas semanas. A OMS identificou outros 170 mil que podem estar disponíveis nos próximos seis meses, no valor de 100 milhões de dólares.

Além desses esforços, a OMS comprou 9,8 mil oxímetros, um dispositivo simples usado para monitorar o oxigênio no sangue dos pacientes, que estão sendo preparados para envio.

Outro desafio é que pacientes gravemente doentes precisam de uma taxa de fluxo de oxigênio mais alta do que a produzida pela maioria dos concentradores disponíveis no mercado.

Ciência, solidariedade e soluções

Para resolver esse problema, a OMS está ajudando os países a comprar equipamentos que lhes permitam gerar seu próprio oxigênio concentrado em quantidades maiores.

“Esta é uma solução sustentável para a COVID-19 e além”, disse ele, mas que requer conhecimento técnico para manutenção. A OMS publicou especificações técnicas para o design deste equipamento e para fontes e distribuição de oxigênio, uma das maneiras pelas quais a agência está apoiando países com ciência, solidariedade e soluções, disse Tedros.

Escolhas difíceis

As perguntas sobre como realizar grandes eventos com segurança tornaram-se cada vez mais importantes à medida que alguns países começam a abrir suas economias, continuou ele.

Isso é verdade para o Hajj anual, que a Arábia Saudita anunciou que continuará este ano com um número limitado de peregrinos que vivem no país. A decisão foi tomada com base na análise de vários cenários, de acordo com as orientações da OMS, para minimizar os riscos de transmissão. “A OMS apoia esta decisão”, disse ele, e entende que foi uma grande decepção para muitos.

“Este é outro exemplo das escolhas difíceis que todos os países devem fazer para colocar a saúde em primeiro lugar”, observou ele.