OMS monitora riscos de epidemias em meio a enchentes na Nigéria

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Na Nigéria, enchentes já afetaram 826 mil pessoas e deixaram 176 mil indivíduos sem casa. Até o início do mês (4), inundações haviam atingido 12 dos 36 estados do país, destruindo 321 estradas e pontes e alagando mais de 150 mil hectares de terras cultivadas.

Em meio à emergência humanitária, a Organização Mundial da Saúde (OMS) teme surtos de cólera, malária e outras doenças transmissíveis por água contaminada.

Oficial da OMS vacina criança contra a cólera no estado de Borno, na Nigéria. Foto: OMS/Chima Onuekwe

Oficial da OMS vacina criança contra a cólera no estado de Borno, na Nigéria. Foto: OMS/Chima Onuekwe

Na Nigéria, enchentes já afetaram 826 mil pessoas e deixaram 176 mil indivíduos desalojados. Até o início do mês (4), inundações haviam atingido 12 dos 36 estados do país, destruindo 321 estradas e pontes e alagando mais de 150 mil hectares de terras cultivadas. Em meio à emergência humanitária, a Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou especialistas à nação africana para monitorar os riscos de epidemias associadas às chuvas.

De acordo com as Nações Unidas, 17,8 mil casas foram varridas pelas enchentes. Até o dia 1º de outubro, cerca de 200 pessoas haviam sido declaradas mortas. O governo decretou estado de desastre nacional em quatro estados. Em agosto último, os principais rios da Nigéria — o Niger e o Benue — já haviam subido e provocado alagamentos ao longo de suas margens.

“Além da destruição imediata e das mortes, enchentes podem afetar severamente a saúde da população, mesmo depois de os níveis da água recuarem”, alertou a chefe da agência da ONU na Nigéria, Wondimagegnehu Alemu, em pronunciamento divulgado na última quinta-feira (4).

As consequências das enchentes — como a falta de água potável e de moradia e redes de saneamento sobrecarregadas — podem facilmente levar à proliferação de doenças contagiosas e transmissíveis pela água, como cólera e malária. Danos à infraestrutura de saúde também podem dificultar o fornecimento de remédios e de assistência médica.

“Podemos mitigar eficientemente esses riscos se eles forem avaliados adequadamente e se medidas de resposta a desastres entrarem em vigor”, acrescentou Alemu.

Para fortalecer sistemas de alerta e vigilância de infecções, a Organização Mundial da Saúde enviou especialistas à nação africana. O organismo também está trabalhando para garantir que remédios essenciais cheguem aos campos recém-criados para famílias deslocadas.

A fim de facilitar a mobilização de recursos para a resposta humanitária, a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho lançou um apelo de quase 5,5 milhões de dólares. O montante garantiria assistência pelos próximos nove meses para 300 mil nigerianos, entre os mais vulneráveis em meio às enchentes. Com a verba, a população receberia moradia e utensílios domésticos básicos, apoio em meios de subsistência e transferência de renda, cuidados médicos, água e serviços de saneamento.

Atualmente, o nordeste da Nigéria vive outra crise devido a conflitos armados. Na região, já foram registrados vários surtos de cólera em três estados. Na avaliação da OMS, a conjuntura torna ainda mais “crucial” um monitoramento efetivo dos efeitos das enchentes no resto do país.


Mais notícias de:

Comente

comentários