OMS lança plano global de combate ao zika e a síndromes associadas ao vírus

Estratégia pretende orientar esforços internacionais, aprimorando o controle dos vetores do vírus zika e acelerando pesquisas sobre vacinas, tratamentos e diagnósticos. Programa custará 56 milhões de dólares. Dos 34 países afetados pelo zika, a maioria é da América Latina e Caribe. Entre todas essas nações, sete relataram aumentos nos casos de microcefalia. Brasil já registrou mais de 4,7 mil casos suspeitos da malformação congênita.

Controle de vetores do vírus zika está entre ações contempladas por estratégia global lançada nesta terça-feira (16) pela OMS. Foto: ONU

Controle de vetores do vírus zika está entre ações contempladas por estratégia global lançada nesta terça-feira (16) pela OMS. Foto: ONU

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou, nesta terça-feira (16), uma estratégia global para orientar as respostas dos Estados-membros para a disseminação do vírus zika e aos casos de malformações congênitas e de síndromes neurológicas associadas ao vírus. Em pronunciamento no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), a diretora executiva da agência, Natela Menabde, informou que 34 países já registraram infecções pelo zika. Desse conjunto, sete relataram aumentos nas ocorrências de microcefalia.

A estratégia internacional, chamada “Quadro de Resposta Estratégico e Plano de Operações Conjuntas”, pretende mobilizar e coordenar parceiros, especialistas e recursos a fim de aprimorar o monitoramento do vírus e dos distúrbios que poderiam estar a ele vinculados.

A iniciativa vai buscar melhorias no controle dos vetores do zika, além de fortalecer a comunicação eficaz dos riscos e medidas de proteção contra a doença. O plano da OMS também almeja oferecer cuidado médico aos afetados e acelerar a pesquisa e o desenvolvimento de vacinas, tratamentos e métodos de diagnóstico.

Para financiar o programa, serão necessários 56 milhões de dólares, dos quais 25 serão disponibilizados para a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço regional da OMS no continente. Menabde destacou que a maioria das nações onde foram verificados casos de zika é da América Latina e Caribe. O restante da verba será distribuído para parceiros estratégicos. O montante para as operações iniciais virá de um fundo de emergência recém-estabelecido pela agência da ONU.

A diretora executiva da OMS também informou que, no Brasil, mais de 4,7 mil casos suspeitos de microcefalia já foram registrados. Apenas um quarto dessas ocorrências foi estudado. Antes do surto, a média anual de bebês que apresentavam a malformação era de 163.

O presidente do ECOSOC, Oh Joon, ressaltou que o aumento da incidência de microcefalia e outras síndromes neurológicas é “extremamente preocupante”. No início de fevereiro, a OMS declarou o recente aumento desses transtornos “uma emergência de saúde pública internacional”. Segundo Joon, o atual cenário levanta dúvidas quanto à capacidade dos sistemas e instituições de saúde de lidar com as necessidades dos homens e mulheres infectados, das crianças com a malformação cerebral e de suas famílias.

Desde maio de 2015, quando os primeiros relatos de zika apareceram no nordeste do Brasil, a OPAS tem trabalhado junto aos países afetados pelo vírus. Os possíveis vínculos da microcefalia e da síndrome de Guillain-Barré com o zika estão sendo investigados por autoridades, governos e especialistas vinculados à Organização.

Acesse o plano da OMS clicando aqui.