OMS lança nova estratégia para controle da gripe no mundo

Homem tossindo com gripe. Foto: William Brawley (CC)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou nesta semana (11) uma nova estratégia global de controle da influenza, mais conhecida como gripe. O plano, que contempla o período 2019-2030, visa prevenir a influenza sazonal, controlar a disseminação da gripe dos animais para os seres humanos e preparar governos e sociedades para a próxima pandemia desse tipo de infecção.

“A ameaça da gripe pandêmica está sempre presente”, afirma o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus.

“O risco contínuo de um novo vírus da influenza que se transmita dos animais para humanos e cause potencialmente uma pandemia é real. A questão não é se teremos outra pandemia, mas quando. Precisamos estar vigilantes e preparados – o custo de um grande surto de gripe superará em muito o preço da prevenção.”

A gripe continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública do mundo. A cada ano, estima-se que haja 1 bilhão de casos de influenza. Dessas ocorrências, de 3 a 5 milhões são graves, provocando de 290 mil a 650 mil mortes por doenças respiratórias relacionadas.

A OMS recomenda a vacinação anual contra a gripe como a maneira mais eficaz de prevenir a doença. A imunização é especialmente importante para as pessoas com maior risco de complicações graves causadas pela influenza e também para os profissionais de saúde.

A nova estratégia do organismo internacional é a mais abrangente e de maior alcance que a agência já desenvolveu para a gripe. O plano traça um caminho para proteger as populações todos os anos e ajuda na preparação para uma pandemia por meio do fortalecimento dos programas de rotina.

O marco da OMS tem dois objetivos: o primeiro é construir nos países estruturas e mecanismos mais fortes de vigilância e resposta a doenças, de prevenção e controle e de preparação. Para alcançar isso, a agência faz um chamado para que todas as nações tenham um programa de influenza adaptado, que contribua para os esforços nacionais e globais, assim como para a segurança da saúde.

A segunda meta é desenvolver ferramentas melhores para prevenir, detectar, controlar e tratar a gripe. Isso inclui vacinas, antivirais e tratamentos mais eficazes. O aprimoramento desses recursos deve ter como alvo torná-los acessíveis a todos os países.

“Com as parcerias e o trabalho específico de cada país que temos feito ao longo dos anos, o mundo está melhor preparado do que nunca para o próximo grande surto, mas ainda não estamos preparados o suficiente”, acrescentou o chefe da OMS.

“Esta estratégia visa nos levar a esse ponto. Basicamente, trata-se de preparar sistemas de saúde para gerenciar choques. E isso só acontece quando os sistemas de saúde são fortes e saudáveis.”

Para implementar com sucesso esse plano, parcerias eficazes são essenciais. A OMS expandirá suas cooperações para aumentar a pesquisa, a inovação e a disponibilidade de ferramentas globais novas e aprimoradas para enfrentar a influenza. Ao mesmo tempo, o organismo vai trabalhar em estreita colaboração com autoridades nacionais.

A estratégia foi desenvolvida por meio de um processo consultivo com contribuições dos Estados-membros, academia, sociedade civil, indústria e especialistas internos e externos.

O novo marco contra a gripe se baseia e se beneficia de programas bem-sucedidos da OMS. Por mais de 65 anos, o Global Influenza Surveillance and Response System (GISRS) – sistema global de vigilância e resposta à influenza composto por Centros Colaboradores da OMS e centros nacionais de influenza – trabalhou em conjunto para monitorar tendências sazonais e vírus potencialmente pandêmicos. Esse mecanismo serve como a espinha dorsal do sistema de alerta global para a gripe.

Um fator muito importante para a estratégia tem sido o sucesso contínuo do Quadro de Preparação para a Influenza Pandêmica. Esse outro sistema apoia o compartilhamento de vírus potencialmente pandêmicos entre autoridades de saúde, além de dar acesso a vacinas e tratamentos que salvam vidas em caso de pandemia.

A OMS afirma ainda que apoiar os países para fortalecer suas capacidades de controle da influenza terá benefícios colaterais na detecção geral de infecções. Isso porque governos poderão identificar melhor outras doenças infecciosas, como o ebola ou o coronavírus associado à síndrome respiratória do Oriente Médio.