OMS inclui áreas urbanas de RJ, BA e SP em recomendação de vacina contra febre amarela

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu 88 novos municípios brasileiros como áreas com recomendação de vacina contra febre amarela. Com isso, todo o estado do Rio de Janeiro passa a ser área com recomendação de vacina contra a doença. O número de municípios da Bahia cuja imunização é recomendada passou de 69, em janeiro, para 154 atualmente. No estado de São Paulo, apenas a capital paulista não faz parte da área recomendada para imunização.

Vacinação contra a febre amarela. Foto: Agência Brasil / Marcelo Camargo

Vacinação contra a febre amarela. Foto: Agência Brasil / Marcelo Camargo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu 88 novos municípios brasileiros como áreas com recomendação de vacina contra febre amarela. A decisão, divulgada na quarta-feira (5) no comunicado “Disease Outbreak News”, vale para viajantes internacionais que se deslocam até esses lugares, incluindo as cidades do Rio de Janeiro e Niterói (RJ), Salvador (BA) e área urbana de Campinas (SP).

Com isso, todo o estado do Rio de Janeiro passa a ser área com recomendação de vacina contra a febre amarela. O número de municípios da Bahia cuja imunização contra a doença é recomendada passou de 69, em janeiro, para 154. No estado de São Paulo, apenas a capital paulista não faz parte da área recomendada para imunização. No último dia 6 de março, a OMS já havia divulgado um informe orientando os viajantes internacionais a se vacinarem antes de irem para o estado do Espírito Santo.

Antes do surto atual, a imunização contra a doença já era recomendada para os estados de Acre, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, além de determinadas áreas da Bahia, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

O objetivo dos informativos “Disease Outbreak News” é deixar os Estados-membros da OMS informados sobre surtos que estão ocorrendo em várias localidades do mundo. Os três comunicados anteriores divulgados pela Organização diziam respeito a surtos de gripe aviária (H7N9) na China e de síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) no Qatar e na Arábia Saudita.

A determinação de novas áreas consideradas de risco de transmissão de febre amarela e com recomendação de vacina é um processo contínuo e atualizado regularmente pela OMS.

Epizootias

O comunicado levou em conta as epizootias (mortes de macacos) e casos em humanos que estão sendo investigados ao longo da zona costeira do norte da Bahia, incluindo a área urbana de Salvador, com uma epizootia confirmada por infecção pelo vírus da febre amarela no município de Feira de Santana.

Também foram confirmadas epizootias associadas à doença nas proximidades da área urbana de Campinas. E nas proximidades de áreas urbanas na cidade do Rio de Janeiro e de Niterói estão sendo investigadas mortes de macacos por febre amarela.

Esses relatos são consistentes com o aumento da atividade da doença observado nas regiões sul do Estado da Bahia, na fronteira com os estados do Espírito Santo e Minas Gerais, e em áreas dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, todas compartilhando o mesmo ecossistema.

Transmissão

Atualmente, o Brasil é afetado apenas pela febre amarela silvestre — transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes. Até o momento, não há qualquer evidência de que o mosquito Aedes aegypti, presente em zonas urbanas, esteja envolvido na transmissão.

De acordo com o mais recente alerta epidemiológico da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Suriname notificaram casos de febre amarela neste ano.

A OPAS/OMS tem trabalhado para apoiar os países na resposta à doença. No momento, há equipes da Organização em diversas áreas afetadas do Brasil, trabalhando com as autoridades de saúde nacionais e locais.

Vacinação

A medida mais importante para prevenir a febre amarela é a vacinação. Quem vive ou se desloca para as áreas de risco deve estar com as vacinas em dia e se proteger de picadas de mosquitos. Para a OPAS/OMS, apenas uma dose da vacina é suficiente para garantir imunidade e proteção ao longo da vida. Efeitos secundários graves são extremamente raros.

Pessoas com mais de 60 anos só devem receber a vacina após avaliação cuidadosa de risco-benefício. A vacina contra a febre amarela não deve ser administrada em pessoas com doença febril aguda, cujo estado de saúde geral está comprometido; pessoas com histórico de hipersensibilidade a ovos de galinha e/ou seus derivados e mulheres grávidas, exceto aquelas com avaliação de alto risco de infecção e situações em que há recomendação expressa de autoridades de saúde.

A vacina também não deve ser administrada em pessoas severamente imunodeprimidas por doenças (por exemplo, câncer, AIDS etc.) ou medicamentos; crianças com menos de 6 meses de idade (consulte a bula do laboratório da vacina); pessoas de qualquer idade com uma doença relacionada ao timo.

Dada a atual situação da febre amarela no Brasil e o surgimento de casos em áreas que passaram anos sem registros, a OPAS/OMS insta os Estados-membros a continuar os esforços para detectar, confirmar e tratar adequadamente e de maneira oportuna os casos de febre amarela.

Para isso, é importante que os profissionais de saúde estejam atualizados e capacitados para detectar e tratar casos, especialmente em áreas de circulação do vírus causador da doença.


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