OMS faz balanço de um ano da declaração de emergência internacional sobre zika

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A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, fez nesta quarta-feira (1) um balanço do que foi feito e descoberto um ano após declaração de emergência internacional sobre o zika e suas consequências associadas.

Chan anunciou que a organização está criando um mecanismo com outras entidades para fornecer orientações continuadas a intervenções eficazes e apoio às famílias, comunidades e países com circulação do vírus zika.

Maior parte dos casos de microcefalia está concentrada no Nordeste do país. Foto: EBC

No Brasil, a maior parte dos casos de microcefalia está concentrada no Nordeste. Foto: EBC

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, fez nesta quarta-feira (1) um balanço do que foi feito e descoberto um ano após declaração de emergência internacional sobre o zika e suas consequências associadas.

Cerca de 70 países e territórios das Américas, África, Ásia e Pacífico Ocidental têm relatado casos de infecção pelo vírus desde 2015.

“A OMS e os países afetados precisam manejar o zika não em uma situação de emergência, mas da mesma forma continuada em que respondemos a outros patógenos propensos a epidemias, como dengue e chikungunya, que vem e vão, em ondas recorrentes de infecção”, disse Chan.

A diretora-geral da OMS anunciou que a organização está criando um mecanismo com outras entidades para fornecer orientações continuadas a intervenções eficazes e apoio às famílias, comunidades e países com circulação do vírus zika.

“No início de 2016, quase todos haviam visto imagens de partir o coração que mostravam bebês nascidos no Brasil com cabeças minúsculas. Todos nós ouvimos as histórias trágicas de mães preocupadas e as perspectivas sombrias projetadas para seus bebês”, declarou Chan no comunicado.

Ela lembrou que, na ocasião, especialistas do comitê de emergência puderam se basear em evidências e em uma investigação retrospectiva do surto ocorrido na Polinésia Francesa, que trouxe à luz a ligação entre a infecção por zika durante a gravidez e o aparecimento de microcefalia em recém-nascidos.

“Dentro de meses, os cientistas puderam provar que a infecção por zika causa microcefalia e desencadeia a Síndrome de Guillain-Barré”, lembrou a diretora-geral da OMS.

Segundo Chan, o trabalho sobre as vacinas começou imediatamente e avançou, beneficiando-se de diretrizes de pesquisa e desenvolvimento simplificadas (R&D blueprint) da OMS, que reduzem drasticamente o tempo necessário para desenvolver e fabricar produtos candidatos.

“Como todos os outros surtos explosivos, o zika revelou falhas na preparação coletiva do mundo. O acesso deficiente aos serviços de planeamento familiar foi um deles. O desmantelamento de programas nacionais de controle de mosquitos foi outro”, disse Chan.

“Um ano depois, (…) a propagação internacional continuou, enquanto a vigilância melhorou”, declarou. As consequências documentadas para recém-nascidos têm crescido para uma longa lista de distúrbios conhecida como “Síndrome Congênita do Vírus Zika”. “Sabemos que o vírus pode ser transmitido por relações sexuais, acrescentando mais recomendações preventivas para as mulheres em idade fértil”, disse.

De acordo com as recomendações da OMS, algumas abordagens inovadoras para o controle dos mosquitos estão sendo experimentadas de maneira piloto em vários países, com resultados promissores. Cerca de 40 vacinas candidatas estão em preparação. Enquanto alguns avançaram para ensaios clínicos, uma vacina julgada segura o
suficiente para uso em mulheres em idade fértil poderá ser licenciada a partir de 2020.

Em novembro de 2016, a OMS declarou que o zika não era mais uma emergência de saúde pública internacional, com base no parecer do comitê de especialistas. “Algumas incertezas permanecem, mas muitas questões fundamentais foram respondidas”.


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