OMS elogia políticas de Uganda para prevenir ebola

Enfermeira prepara leito para um paciente com suspeita de infecção por ebola no distrito de Kasese, Uganda, próximo à fronteira com a República Democrática do Congo. Foto: UNICEF/Michele Sibiloni

O início de um surto de ebola na República Democrática do Congo levou a vizinha Uganda a implementar uma série de medidas preventivas para manter a doença distante. Em território congolês, já chega a pouco mais de 600 o número de pacientes infectados, dentro e fora da região de Kivu do Norte. Desse grupo, 368 morreram em meio a uma epidemia que é considerada a segunda mais mortal dessa patologia.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, elogiou na quinta-feira (3) a resposta das autoridades ugandesas, lembrando o histórico de prevenção eficaz do país e explicando que as estratégias de Uganda já foram “reconhecidas globalmente”. Alertas rápidos, ações imediatas e uma coordenação efetiva em campo foram elementos fundamentais da política que ajudou a controlar o maior surto já registrado no país, em 2000 e 2001, quando 574 pessoas foram infectadas e 261 morreram.

Em 2018, na República Democrática do Congo, esforços de saúde foram afetados por operações de grupos armados e também por protestos políticos, bem como pelo deslocamento de cidadãos potencialmente infectados.

O número crescente de congoleses com ebola despertou preocupação entre o governo de Uganda — que decidiu priorizar a vacinação de profissionais de saúde na linha de frente, examinar viajantes em pontos de entrada do território e promover a comunicação sobre os riscos da doença.

Essas medidas preventivas, disse Ghebreyesus em pronunciamento ao lado do primeiro-ministro ugandês Ruhakana Rugunda, “vão longe” em seu intuito de salvar as vidas dos profissionais de saúde. O dirigente do organismo internacional acrescentou que a OMS está “realmente grata pelo compromisso e apoio do governo”.

Segundo a agência da ONU, conter a proliferação do ebola envolve também a coleta e testagem de amostras de sangue em casos suspeitos, bem como iniciativas de capacitação para a gestão das infecções, atenção psicossocial e cursos sobre enterros seguros e dignos para as vítimas fatais.

De acordo com a OMS, o contato com agentes infecciosos mortais pode fragilizar sistemas de saúde já deficientes, permitindo que outros vírus fujam do controle. O chefe da instituição ressaltou a necessidade de fortalecer a atenção primária de saúde em Uganda e prevenir doenças transmissíveis e não transmissíveis, a fim de alcançar a cobertura universal de saúde.

Ruhakana Rugunda, chefe do Estado ugandês, agradeceu o reconhecimento da OMS e afirmou que as conquistas de seu país se devem à liderança geral da Organização. O primeiro-ministro disse ainda que levar saúde para todos é essencial para combater muitas das aflições que a nação vive. “Não temos escolha a não ser apoiar a saúde pública”, completou.