OMS: ebola já matou mais de 460 pessoas nos últimos seis meses na RD Congo

Em balanço sobre os seis meses do surto de ebola na República Democrática do Congo, a diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, Matshidiso Moeti, destacou a presença robusta da agência da ONU no país — são cerca de 500 funcionários que, em coordenação com o governo e instituições parceiras, já promoveram a vacinação de 69 mil pessoas contra o vírus.

Equipes da OMS prestam assistência direta à população da República Democrática do Congo em meio ao surto de ebola, o décimo já registrado no país e o pior já documentado por autoridades de saúde. Foto: OMS

Equipes da OMS prestam assistência direta à população da República Democrática do Congo em meio ao surto de ebola, o décimo já registrado no país e o pior já documentado por autoridades de saúde. Foto: OMS

Em balanço sobre os seis meses do surto de ebola na República Democrática do Congo, a diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, Matshidiso Moeti, afirmou na sexta-feira (1º) que a doença já matou 461 pessoas. A dirigente destacou a presença robusta da agência da ONU no país — são cerca de 500 funcionários que, em coordenação com o governo e instituições parceiras, já promoveram a vacinação de 69 mil pessoas contra o vírus.

Além de apoiar nove centros de tratamento para a enfermidade, a OMS já rastreou mais de 45 mil pessoas que estiveram em contato com possíveis infectados com o ebola. Mais de 30 milhões de pessoas foram examinadas nas fronteiras do país e vacinações também começaram no Sudão do Sul e Uganda. Em território congolês, a imunização beneficiou 21 mil agentes de saúde e 16 mil crianças, grupos mais vulneráveis à doença.

Em coletiva de imprensa em Genebra, Moeti explicou que a maioria dos profissionais da OMS na República Democrática do Congo são do próprio país ou de escritórios da OMS no continente africano. “Algumas dessas pessoas estão lutando contra o ebola desde que o primeiro surto de 2018 começou no oeste da RDC, em maio. Estas bravas pessoas e colegas realmente orgulham todos nós”, elogiou a dirigente.

Desafios para conter propagação do vírus no nordeste

A representante da OMS acrescentou que desafios persistem para superar pontos significativos de propagação do vírus no nordeste da nação africana. Embora autoridades tenham tido sucesso em controlar a doença em Beni e em Mangina, o surto continua afetando uma ampla área geográfica. Também houve um aumento no número de casos relatados, incluindo na zona de saúde de Katwa.

Até o momento, o ebola foi responsável pela morte de 461 pessoas nas províncias de Kivu do Norte e Ituri. Outras 258 pessoas infectadas se recuperaram da doença, que ataca o sistema imunológico, causando hemorragias internas e danos aos órgãos, se não for controlada.

A insegurança permanece sendo um dos principais obstáculos que impedem agentes de saúde de alcançar as pessoas em risco no vasto território congolês, onde mais de cem grupos armados operam. Um problema adicional para agentes de saúde é a desconfiança entre os moradores.

“A situação em Kivu do Norte está relativamente calma comparada ao período pré-eleição e, obviamente, calma é um termo relativo em Kivu do Norte e em Ituri. Há uma constante ameaça de violência e ataques de forças não governamentais”, acrescentou Mike Ryan, diretor-geral assistente para Emergências na OMS.

“Mas eu ecoo os agradecimentos de Moeti aos nossos colegas da MONUSCO (a missão de estabilização da ONU na RD Congo) e da Brigada de Intervenção, que continuam fornecendo uma defesa ativa para Beni, Butembo e áreas próximas.”

Mesmo com as dificuldades, autoridades de saúde estão avançando na resposta ao pior surto de ebola já registrado no país. Uma das frentes contra a doença é o uso de uma nova terapia, sob testes, em pacientes que consentem receber o tratamento.


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