OMS e UNICEF alertam para declínio na vacinação durante pandemia da COVID-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertaram na quarta-feira (15) para um declínio alarmante no número de crianças que recebem vacinas vitais em todo o mundo. Isso ocorre devido a interrupções na entrega e na aceitação dos serviços de imunização causadas pela pandemia da COVID-19.

A situação é especialmente preocupante para a América Latina e o Caribe, onde a cobertura historicamente alta caiu na última década. No Brasil, na Bolívia, no Haiti e na Venezuela, a cobertura vacinal caiu em pelo menos 14 pontos percentuais desde 2010. Esses países também estão agora enfrentando interrupções, de moderadas a graves, relacionadas à COVID-19.

OMS e UNICEF alertam para um declínio alarmante no número de crianças que recebem vacinas vitais em todo o mundo. Foto: OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertaram nesta quarta-feira (15) para um declínio alarmante no número de crianças que recebem vacinas vitais em todo o mundo. Isso ocorre devido a interrupções na entrega e na aceitação dos serviços de imunização causadas pela pandemia da COVID-19.

Os dados mais recentes sobre estimativas de cobertura de vacinas da OMS e do UNICEF para 2019 mostram que melhorias – como a expansão da vacina contra o HPV para 106 países e maior proteção para crianças contra mais doenças – estão em perigo de decair. Por exemplo, dados preliminares para os primeiros quatro meses de 2020 apontam para uma queda substancial no número de crianças que completam três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP3). É a primeira vez em 28 anos que o mundo vê redução na cobertura de DTP3 – o marcador da cobertura de imunização dentro e entre países.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, as vacinas são uma das ferramentas mais poderosas da história da saúde pública e agora mais crianças estão sendo imunizadas do que nunca. “Mas a pandemia colocou esses ganhos em risco. O sofrimento e a morte evitáveis de crianças que perdem as imunizações de rotina podem ser muito maiores do que a própria COVID-19. Mas isso não tem que ser assim. As vacinas podem ser entregues com segurança, mesmo durante a pandemia, e estamos pedindo aos países que garantam a continuidade desses programas essenciais para salvar vidas”, afirmou.

Interrupções devido à COVID-19

Devido à pandemia da COVID-19, pelo menos 30 campanhas de vacinação contra o sarampo estavam ou estão em risco de serem canceladas, o que poderá resultar em novos surtos em 2020 e além. De acordo com uma nova pesquisa de pulso da OMS, UNICEF e Gavi, realizada em colaboração com os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos, o Sabin Vaccine Institute e a Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, 3/4 dos 82 países que responderam relataram interrupções relacionadas à COVID-19 em seus programas de imunização em maio de 2020.

Os motivos para serviços interrompidos variam. Mesmo quando são oferecidos, as pessoas não podem acessá-los devido à relutância em sair de casa, interrupções de transporte, dificuldades econômicas, restrições de movimento ou medo de serem expostas a pessoas com a COVID-19. Muitos profissionais de saúde também estão indisponíveis devido a restrições de viagens ou desdobramento de tarefas de resposta à COVID-19, além da falta de equipamento de proteção.

“A COVID-19 fez da vacinação de rotina um desafio assustador”, disse a diretora-executiva do UNICEF, Henrietta Fore. “Precisamos evitar uma deterioração adicional na cobertura da vacina e retomar com urgência os programas de vacinação antes que a vida das crianças seja ameaçada por outras doenças. Não podemos trocar uma crise de saúde por outra”.

Taxa de cobertura global estagnada

O progresso na cobertura de imunização estava estagnado antes da chegada da COVID-19, 85% para as vacinas contra DTP3 e sarampo. A probabilidade de uma criança nascida hoje ser totalmente vacinada com todas as vacinas recomendadas mundialmente até os 5 anos de idade é inferior a 20%.

Em 2019, quase 14 milhões de crianças perderam vacinas vitais, como sarampo e DTP3. A maioria dessas crianças vive na África e provavelmente não terá acesso a outros serviços de saúde. Dois terços delas estão concentrados em 10 países de renda média e baixa: Angola, Brasil, Etiópia, Filipinas, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão e República Democrática do Congo. As crianças nos países de renda média representam uma parcela crescente do ônus.

Progresso e desafios – por país e região

Houve algum progresso. A cobertura regional para a terceira dose de DTP no sul da Ásia aumentou 12 pontos percentuais nos últimos 10 anos, principalmente na Índia, no Nepal e no Paquistão. No entanto, esse progresso conquistado com dificuldade poderá ser desfeito por interrupções relacionadas à COVID-19. Países que registraram progressos significativos, como Etiópia e Paquistão, agora também correm o risco de retroceder se os serviços de imunização não forem restaurados o mais rápido possível.

A situação é especialmente preocupante para a América Latina e o Caribe, onde a cobertura historicamente alta caiu na última década. No Brasil, na Bolívia, no Haiti e na Venezuela, a cobertura vacinal caiu em pelo menos 14 pontos percentuais desde 2010. Esses países também estão agora enfrentando interrupções, de moderadas a graves, relacionadas à COVID-19.

Enquanto a comunidade global de saúde tenta recuperar o terreno perdido devido a interrupções relacionadas à COVID-19, o UNICEF e a OMS estão apoiando os países em seus esforços para reimaginar a imunização e reconstruir melhor com a:

• Restauração de serviços para que os países possam prestar serviços de imunização de rotina com segurança durante a pandemia da COVID-19, seguindo as recomendações de higiene e distanciamento físico e fornecendo equipamentos de proteção aos profissionais de saúde;

• Ajuda aos profissionais de saúde para que se comuniquem ativamente com os cuidadores de modo a explicar como os serviços foram reconfigurados para garantir a segurança;

• Retificação da cobertura e das lacunas de imunidade;

• Expansão de serviços de rotina para alcançar comunidades esquecidas, onde vivem algumas das crianças mais vulneráveis.

Estimativas sobre a cobertura de imunização 2019

A cada ano, o UNICEF e a OMS produzem uma nova rodada de estimativas de cobertura de imunização para 195 países, permitindo uma avaliação crítica do caminho para alcançar todas as crianças com vacinas vitais. Além de produzir as estimativas de cobertura de imunização para 2019, o processo de estimativa da OMS e do UNICEF revisa toda a série histórica de dados de imunização com as informações mais recentes disponíveis.

A revisão de 2019 abrange 39 anos de estimativas de cobertura, de 1980 a 2019. A cobertura DTP3 é usada como um indicador para avaliar a proporção de crianças vacinadas e é calculada para crianças com menos de 1 ano de idade. O número estimado de crianças vacinadas é calculado usando dados da população fornecidos pelas Perspectivas da População Mundial de 2019 (WPP) da ONU.

Pesquisa de pulso sobre imunização – junho de 2020

A nova pesquisa de pulso do UNICEF, da OMS e da Gavi foi realizada em colaboração com os Centers for Disease Control dos Estados Unidos, o Sabin Vaccine Institute e a Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, em junho de 2020. Entrevistados de 82 países, incluindo 14 com taxa de cobertura vacinal inferior a 80% em 2019, relataram interrupções nos serviços de imunização devido à COVID-19 em maio de 2020. A pesquisa de pulso de imunização online recebeu respostas de 260 especialistas em imunização, incluindo representantes dos Ministérios da Saúde, de universidades e de organizações globais de saúde em 82 países.

Uma pesquisa de pulso anterior, realizada em abril, recebeu 801 respostas de 107 países, mostrou que a interrupção dos programas de imunização de rotina já era generalizada e afetava todas as regiões. Ao todo, 64% dos países representados nessa pesquisa indicaram que as imunizações de rotina foram interrompidas ou suspensas.