OMS: Diminuem as disparidades entre países ricos e pobres na saúde

Há progressos consideráveis na redução da mortalidade materna e infantil, afirmou a Organização em novo relatório. Brasil ainda possui lacunas, mas já alcançou algumas metas.

Hospital na Bahia. Foto: Governo da Bahia/Creative Commons

Hospital na Bahia. Foto: Governo da Bahia/Creative Commons

O mundo fez grandes progressos na melhora da saúde dos países mais pobres e na redução das disparidades entre as nações com o melhor e o pior nível de saúde nas últimas duas décadas, de acordo com o relatório “Estatísticas Mundiais de Saúde 2013”.

O documento, lançado nesta quarta-feira (15), é publicado anualmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e reúne dados sobre a saúde em 194 países.

O estudo destaca como os esforços para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) têm reduzido as disparidades na saúde entre os países ricos e pobres. Na medida em que se aproxima o prazo para cumprir os ODM – 31 de dezembro de 2015 – o relatório mostra os progressos consideráveis realizados na redução da mortalidade materna e infantil, melhoria da nutrição e redução de mortes e doenças por infecção do HIV, tuberculose e malária.

“Intensos esforços para atingir os ODM têm melhorado claramente a saúde para pessoas de todo o mundo”, diz a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. “Mas, com menos de 1.000 dias para o prazo dos ODM, é oportuno perguntar se estes esforços têm feito a diferença na redução das desigualdades inaceitáveis entre os países mais ricos e os mais pobres”, acrescentou.

Neste ano, o relatório compara progressos realizados pelos países com melhores e piores níveis de saúde no ano base dos ODM, 1990, e duas décadas depois. Como exemplo dos dados, a diferença absoluta na mortalidade infantil entre as nações do topo e de baixo nos níveis de saúde foi reduzida de 171 mortes para 107 mortes, dentre 1.000 nascimentos vivos, em 2011.

Países que estavam no grupo com as taxas de mortalidade infantil mais elevadas do mundo em 1990 – incluindo Bangladesh, Butão, Laos, Madagascar, Nepal, Ruanda, Senegal e Timor-Leste – melhoraram os níveis de sobrevivência de suas crianças de tal forma que já não pertencem a este grupo.

No entanto, mesmo que 27 países já tenham atingido a meta dos ODM, as atuais taxas de progresso não serão suficientes para atingir a meta global em 2015 de redução em dois terços dos níveis de mortalidade infantil de 1990.

Em 1990 a lacuna entre os estados com maiores e menores taxas de mortes de mulheres durante a gravidez e parto foi de 915 óbitos em 100 mil nascidos vivos, enquanto que em 2010 a diferença foi de 512. Porém, a taxa global de redução (de 3%) terá de dobrar para atingir a meta dos ODM de reduzir a taxa de mortalidade materna em três quartos.

Brasil ainda possui lacunas, mas já alcançou algumas metas

Os dados do estudo apontam que o Brasil atendeu as metas do ODM em relação aos partos assistidos por pessoal de saúde qualificado, sobre a vacinação contra o sarampo em crianças com um ano e na taxa de redução de mortalidade por tuberculose, por exemplo.

Em outros quesitos, o país ainda não conseguiu alcançar os objetivos, como na diminuição da proporção de pessoas sem saneamento adequado, redução da mortalidade materna e no tratamento por terapia antirretroviral em pessoas com infecção avançada do HIV.

Também sobre o HIV, o documento ressalta que a lacuna entre países com maiores e menores taxas de infecção do vírus diminuiu de 360 para 261 pessoas, na proporção de 100 mil, entre 1990 e 2011. No mesmo período a lacuna entre nações com menores e maiores taxas de mortes por tuberculose caiu de 62 para 41 mortes, na proporção de 100 mil pessoas.

Porém, o avanço não foi acompanhado pelo progresso na redução dessa enfermidade, com diminuição de 34% em países com altas taxas de mortalidade de TB contra 70% nos países com taxas baixas.