OMS declara fim de emergência de ebola, mas vigilância permanece alta

A expectativa é que novos casos isolados da doença apareçam, mas Organização Mundial da Saúde anunciou que o surto de ebola na África não é mais uma ameaça à saúde pública internacional.

Surto de ebola matou mais de 11 mil pessoas, a maioria na Guiné, Serra Leoa e Libéria, países mais atingidos pelo vírus. Foto: UNMEER/Martine Perret

Surto de ebola matou mais de 11 mil pessoas, a maioria na Guiné, Serra Leoa e Libéria, países mais atingidos pelo vírus. Foto: UNMEER/Martine Perret

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse na terça-feira (29) que o surto de ebola na África não é mais uma ameaça à saúde pública internacional, declarando que a resposta à emergência global de 20 meses acabou, mas enfatizou que “altos níveis de vigilância” precisam ser mantidos.

O Comitê de Emergência reunido com a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, concluiu em sua nona reunião sobre a situação do ebola no África Ocidental que a doença não constitui mais uma emergência de saúde e que as recomendações temporárias adotadas como resposta ao surto devem ser interrompidas.

“Aceitei o conselho do comitê”, disse Chan, afirmando, no entanto, que altos níveis de vigilância e de capacidade de resposta precisam ser mantidos para garantir que os países evitem a doença, a detectem rapidamente e respondam a um eventual reaparecimento.

Os casos mais recentes foram contidos imediatamente e de forma eficaz. “A capacidade de resposta ao ebola no África Ocidental é forte”, disse Chan, completando que os três países mais afetados – Guiné, Libéria e Serra Leoa – têm agora maior expertise no assunto.

A OMS manteve centenas de funcionários nos três países, preparados para contribuir para a resposta à emergência necessária para interromper rapidamente as cadeias de transmissão, e pela primeira vez as equipes de resposta têm acesso à vacinação como uma poderosa ferramenta de contenção, acrescentou.

 

Com o número de casos agora muito menor, os parceiros laboratoriais da OMS são capazes de monitorar o vírus em pacientes individualmente. O monitoramento permite definir chegar à origem das cadeias de transmissão com mais precisão.

Os especialistas do comitê apoiaram a visão da OMS de que mais casos isolados da doença são esperados, mas concluíram que a atual capacidade de resposta nacional e internacional é suficiente para conter novos surtos rapidamente, e a probabilidade de nova disseminação por viagens aéreas é extremamente baixa, disse.

O ebola matou mais de 11 mil pessoas desde o início do surto, em dezembro de 2013, com um total de 28.639 casos notificados de pessoas com a doença.