OMS convoca reunião de cientistas para retardar disseminação do coronavírus

Funcionários checam temperatura de clientes em shopping de Yangon, Mianmar. Foto: Man Yi

As mortes pela epidemia de coronavírus ultrapassaram 1.000, confirmou a Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta terça-feira (11), quando centenas de especialistas em saúde começaram a se reunir na sede da organização, em Genebra, para ajudar a impedir a propagação da doença, agora conhecida oficialmente como COVID-19.

“Às 6h da manhã de Genebra, nesta manhã, havia 42.708 casos confirmados na China e agora tragicamente superamos 1.000 mortes”, disse Fadela Chaib, porta-voz da OMS.

“Para ser preciso, são 1.017 pessoas na China que perderam a vida com esse surto. Fora da China, temos 393 casos em 24 países com uma morte; a única morte é nas Filipinas.”

À medida que as infecções continuam aumentando, desde que o novo surto de coronavírus foi declarado na China central em 31 de dezembro, Chaib observou que isso provavelmente ocorreu devido a uma “combinação” de medidas aprimoradas de triagem e detecção.

“Estamos vendo mais casos porque estamos detectando mais e também porque é uma lista de casos que estão sendo testados em laboratórios”, explicou ela.

Especialistas discutem os próximos passos

Cerca de 300 cientistas, representantes de agências de saúde pública, de ministérios da Saúde e financiadores de pesquisas reúnem-se para um encontro de dois dias na OMS com o objetivo de compartilhar as informações mais recentes sobre o vírus e decidir qual a melhor forma de enfrentá-lo.

Atualmente, não há vacina ou tratamento comprovado, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, aos presentes na sede da OMS para o Fórum de Pesquisa e Inovação sobre o novo coronavírus 2019.

Apelando aos participantes por sua visão científica, Tedros também pediu respostas para muitas incógnitas relacionadas à epidemia.

Elas incluem os “reservatórios” do vírus, disse Tedros, bem como seus padrões de transmissão e grau de infecciosidade. Outras questões incluem quais amostras são melhores para diagnóstico e monitoramento, como gerenciar casos graves de infecção e quaisquer problemas éticos que possam surgir em relação aos requisitos de pesquisa.

“Esta não é uma reunião sobre política ou dinheiro. Esta é uma reunião sobre ciência”, insistiu.

“Ainda há muita coisa que não sabemos … precisamos de seu conhecimento, discernimento e experiência coletivos para responder às perguntas para as quais não temos respostas e para identificar as perguntas que nem percebemos que precisamos fazer.”

Um dos resultados esperados da reunião é um roteiro acordado para pesquisas em torno das quais pesquisadores e doadores possam se alinhar.

Vacina pode levar 18 meses para estar disponível

Um imperativo fundamental é o compartilhamento de amostras e sequências do coronavírus, disse Tedros, antes de insistir que “para derrotar esse surto, precisamos de um compartilhamento aberto e equitativo, de acordo com os princípios de justiça e equidade”.

Ele disse aos jornalistas que pode levar 18 meses até que a primeira vacina esteja disponível, então, “temos que fazer tudo hoje, usando as armas que temos”. Ele pediu aos Estados-membros que sejam “o mais agressivos possível” e considerem o vírus “inimigo público número um”, em termos de saúde pública.

Após o surto de ebola na África Ocidental, a agência de saúde da ONU elaborou uma estratégia para o desenvolvimento de medicamentos e vacinas antes de futuras epidemias e para acelerar as atividades de pesquisa e desenvolvimento durante surtos.

De acordo com este protocolo, uma equipe de “P&D Blueprint” da OMS começou a trabalhar no início de janeiro deste ano para coordenar e facilitar o compartilhamento de informações sobre os elementos de pesquisa da resposta, explicou Tedros.

Ecoando os comentários do diretor-geral da OMS, Chaib disse em entrevista coletiva que ainda não se sabe muito sobre o vírus, que permanece uma ameaça principalmente na China.

“Ainda estamos no estágio inicial de entender esse vírus”, disse ela. “Como ele é transmitido, sua fonte, seu período de incubação, suas características clínicas, sua gravidade… 99% dos casos estão na China; isso continua sendo uma emergência para esse país, mas também representa um alto risco para a região, para a Ásia e para o mundo.”

Discutindo o trabalho do fórum da OMS, Chaib reiterou a esperança de que os cientistas compartilhem informações em várias áreas transversais.

“Eles não estão apenas falando sobre vacinas, terapias ou testes de diagnóstico, mas também sobre a interface humano-animal deste vírus”, disse ela. “Eles também falarão sobre as características clínicas dos pacientes que assistiram, compartilhando informações sobre tudo isso”.

Em resposta a uma pergunta sobre se o período de incubação do coronavírus poderia demorar mais de duas semanas — a linha do tempo atualmente aceita —, o porta-voz da OMS afirmou que “temos muitas incógnitas com esse vírus”. “Estamos dizendo que é de um a 14 dias. Mas estamos recebendo todos os tipos de estudos e trabalhos científicos que fornecem cada vez mais conhecimento à comunidade científica para entender melhor esse surto e o próprio vírus.”