OMS convoca encontro para discutir surto de ebola na República Democrática do Congo

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, convocou um encontro do Comitê de Emergência para discutir o atual surto de ebola na República Democrática do Congo, que já deixou mais de 130 mortos.

A OMS avaliou como “muito alto” o risco nacional e regional do surto, embora globalmente este permaneça baixo. Por ora, a agência de saúde da ONU não pediu a imposição de quaisquer restrições comerciais ou de viagens ao país.

Em 14 de setembro de 2018, médicos são esterilizados após visitar pacientes com ebola em centro de tratamento de Butembo, na República Democrática do Congo. Foto: UNICEF

Em 14 de setembro de 2018, médicos são esterilizados após visitar pacientes com ebola em centro de tratamento de Butembo, na República Democrática do Congo. Foto: UNICEF

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, convocou um encontro do Comitê de Emergência para discutir o surto do ebola na República Democrática do Congo, que já deixou mais de 130 mortos.

A OMS avaliou como “muito alto” o risco nacional e regional do surto, embora globalmente este permaneça baixo. Por ora, a agência de saúde da ONU não pediu a imposição de quaisquer restrições comerciais ou de viagens ao país.

O encontro do Comitê de Emergência, marcado para quarta-feira (17) na sede da OMS, em Genebra, irá decidir se o surto constitui uma emergência de saúde pública de preocupação internacional e quais recomendações devem ser feitas para lidar com a propagação da doença.

Este surto, o décimo a atingir a RDC durante os últimos quatro anos, foi declarado na província de Kivu do Norte em 1º de agosto deste ano e, com base no agravamento da situação de segurança dentro e nos arredores da cidade de Beni, a OMS elevou o risco de “alto” para “muito alto” em 28 de setembro.

A agência identificou 39 novos casos confirmados relatados entre 1º e 11 de outubro, sendo 32 deles em Beni.

O Ministério da Saúde da RDC, a OMS e outros parceiros estão respondendo ao surto com equipes em solo, mas a OMS alertou que a insegurança recorrente afeta severamente civis e trabalhadores de campo, forçando a suspensão da resposta por diversos dias no final de setembro e elevando o risco de o vírus continuar se espalhando.

Mais de 20 civis em Beni foram mortos no incidente que provocou a suspensão das atividades, após uma série de ataques nas semanas anteriores. A ONU estima que mais de 1 milhão de civis sob ameaça de grupos armados estejam deslocados internamente em Kivu do Norte, com 500 mil deles somente neste ano. A região oriental é próxima à fronteira com Uganda e Ruanda.

Enquanto isso, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) relata que mais de um mês após o início do ano letivo, 80% das crianças em idade escolar voltaram às aulas nas zonas de Beni e Mabalako, os dois epicentros do surto do ebola. O UNICEF identificou mais de 1,5 mil escolas nas áreas afetadas pela epidemia.