OMS: começam testes de vacina contra coronavírus; número de mortes supera 8 mil no mundo

Apenas 60 dias após a sequência genética da COVID-19 ser compartilhada pela China, o primeiro teste de vacina foi iniciado, disse o chefe de saúde da ONU na quarta-feira (18), chamando este fato de “uma conquista incrível” e instando o mundo a manter “o mesmo espírito de solidariedade” do combate ao ebola.

Atualizando jornalistas na coletiva de imprensa regular em Genebra, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que mais de 200 mil casos do novo coronavírus foram relatados no mundo e mais de 8 mil mortes foram registradas.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS). Foto: ONU/Elma Okic

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS). Foto: ONU/Elma Okic

Apenas 60 dias após a sequência genética da COVID-19 ser compartilhada pela China, o primeiro teste de vacina foi iniciado, disse o chefe de saúde da ONU na quarta-feira (18), chamando este fato de “uma conquista incrível” e instando o mundo a manter “o mesmo espírito de solidariedade” do combate ao ebola.

Atualizando jornalistas na coletiva de imprensa regular em Genebra, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que mais de 200 mil casos do novo coronavírus foram relatados no mundo e mais de 8 mil mortes foram registradas.

Ele explicou que, como vários pequenos testes da vacina contra o coronavírus com diferentes metodologias podem não fornecer as evidências necessárias, a OMS e os parceiros estão organizando um estudo para comparar tratamentos não testados em vários países.

“Este grande estudo internacional foi projetado para gerar os dados robustos de que precisamos para mostrar quais tratamentos são mais eficazes”, disse o chefe da OMS. “Chamamos este estudo de Solidariedade”.

Até o momento, Argentina, Bahrein, Canadá, França, Irã, Noruega, África do Sul, Espanha, Suíça e Tailândia confirmaram sua participação.

“Para suprimir e controlar as epidemias, os países devem isolar, testar, tratar e rastrear”, disse ele, caso contrário “as cadeias de transmissão podem continuar em um nível baixo e ressurgir quando as medidas físicas de distanciamento forem levantadas”.

‘Águas inexploradas’

Uma semana depois de a COVID-19 ter sido declarada uma pandemia, os casos continuam a aumentar, aproximadamente metade da população estudantil do mundo não frequenta a escola, os pais estão trabalhando remotamente quando possível, as fronteiras foram fechadas e as vidas mudadas.

“Essas são águas desconhecidas para todos nós”, disse Henrietta Fore, diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). “No UNICEF, estamos combatendo um novo vírus, desmascarando mitos e combatendo desinformação, enquanto cuidamos do bem-estar de nossa equipe e de nossas próprias famílias”.

O UNICEF está ajudando a impedir a propagação do vírus entre as comunidades nos países afetados, compartilhando informações precisas sobre como manter as famílias seguras e mitigando o impacto do surto no acesso das crianças à saúde, educação e serviços sociais.

“Agora, mais do que nunca, contamos com nossos doadores para continuar apoiando nossa missão para aqueles que não têm nada e ninguém – apesar desses tempos difíceis”, disse Fore.

Secretariado da ONU

Enquanto o mundo embarca na Década de Ação para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), Mona Juul, presidente do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), enfatizou: “devemos sempre garantir que a saúde e a segurança das pessoas sejam nossa prioridade”.

E à luz da pandemia da COVID-19, ela decidiu adiar a Plenária da Juventude UN75 e o Fórum da Juventude do ECOSOC, e propôs o cancelamento de todas as reuniões do ECOSOC nas próximas oito semanas.

“Dada a situação em rápida evolução, é claro que precisamos permanecer flexíveis”, disse ela, observando que o ECOSOC está explorando opções e soluções virtuais.

Enquanto isso, o porta-voz do secretário-geral da ONU anunciou que conduziria os briefings diários à imprensa remotamente, pois o Serviço de Segurança e Proteção das Nações Unidas em Viena relatou na quarta-feira que 95% da equipe de funcionários estava trabalhando online.

Situação da população sem-teto

Ao mesmo tempo, com os governos de todo o mundo pedindo para as pessoas ficarem em casa de forma a impedir a propagação da COVID-10, uma especialista da ONU lembrou aqueles que não têm casa, dizendo que estes devem ter acesso garantido a moradias adequadas.

“Mais do que nunca, um lar é uma questão de vida ou morte”, disse Leilani Farha, relatora especial da ONU sobre moradias adequadas, acrescentando que esta se tornou “a linha de frente da defesa contra o coronavírus”.

Ela explicou que cerca de 1,8 bilhão de pessoas em todo o mundo vivem em situação de rua e moradias extremamente inadequadas, geralmente em condições de superlotação, sem acesso à água e ao saneamento – tornando-as particularmente vulneráveis.

A especialista instou os Estados a “tomar medidas extraordinárias” para garantir o direito à moradia para que todos possam se proteger contra a pandemia.

Alguns países já avançaram, inclusive colocando moratórias em despejos ou adiando pagamentos de hipotecas para as pessoas afetadas pelo vírus, enquanto outros aumentaram o acesso a espaços para saneamento e abrigo de emergência para os sem-teto.

“Ao garantir o acesso a moradias seguras com saneamento adequado, os Estados não apenas protegerão a vida das pessoas sem-teto ou que vivem em assentamentos informais, mas ajudarão a proteger a população do mundo inteiro, achatando a curva da COVID-19”, concluiu a especialista da ONU.