OMS capacita profissionais de saúde caribenhos para tratar complicações do zika

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) capacita profissionais de saúde do Caribe para lidar com o manejo clínico de complicações neurológicas relacionadas ao zika. Desde junho, os casos de síndrome de Guillain-Barré tiveram um aumento no Caribe. A OPAS busca ampliar e fortalecer a capacidade profissional para gerir esses casos.

Mosquitos machos esterilizados, experimento para o combate ao Aedes, transmissor do zika e de outros vírus. Foto: AIEA/Dean Calma

Mosquitos machos esterilizados, experimento para o combate ao Aedes, transmissor do zika e de outros vírus. Foto: AIEA/Dean Calma

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) realiza esta semana em Barbados uma oficina para capacitar pessoal de saúde de países e territórios do Caribe no manejo clínico das complicações neurológicas graves relacionadas ao vírus zika, como a síndrome de Guillain-Barré.

Desde que o zika foi detectado no Brasil em maio de 2015, 45 países e territórios nas Américas reportaram a transmissão da doença. Vários deles informaram casos neurológicos graves associados à infecção pelo vírus transmitido principalmente pela picada de um mosquito Aedes aegypti infectado.

“A oficina pretende capacitar profissionais de saúde caribenhos para que estejam mais bem preparados para detectar e tratar pacientes com a síndrome de Guillain-Barré”, afirmou Godfrey Xuereb, representante da OPAS/OMS para Barbados e os países do Caribe Oriental. A abertura da atividade de dois dias ocorreu na quinta-feira (1) e esteve a cargo do ministro da Saúde de Barbados, John Boyce, que agradeceu a OPAS pelo apoio dado aos países do Caribe em sua luta contra o zika.

Com base em pesquisas científicas, existe um consenso de que o vírus do zika pode desencadear a síndrome de Guillain-Barré. Desde junho de 2016, o número de casos da síndrome aumentou no Caribe. Por esta razão, a OPAS/OMS busca contribuir para ampliar e fortalecer a capacidade profissional para proporcionar a adequada atenção clínica nesses casos.

Durante a reunião, serão discutidas as recentes diretrizes da OMS para o manejo clínico dos pacientes com a síndrome, com um enfoque prático na implementação nos diferentes países. Espera-se que, depois da oficina, os participantes liderem o processo de elaboração de protocolos adotados localmente para melhorar o manejo clínico dos casos neurológicos graves relacionados ao zika em seus países.

A síndrome de Guillain-Barré é uma doença rara na qual o sistema imunológico do paciente ataca os nervos periféricos. Pode afetar pessoas de todas as idades, mas é mais frequente em adultos do sexo masculino.

A maioria dos casos, inclusive os mais graves, se recupera totalmente. Em 20% a 25% dos casos, os músculos torácicos são afetados, dificultando a respiração.

A reunião faz parte de uma série de atividades de capacitação iniciadas em maio deste ano, onde profissionais de saúde de 16 países do Caribe foram orientados no manejo clínico da infecção pelo vírus zika durante a gravidez.