OMS avalia se serviços para poliomielite podem ser usados no monitoramento do zika

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a hipótese de aproveitar os serviços de pólio vem do fato de que o zika pode desencadear a Síndrome de Guillain-Barré (SGB), um problema de saúde que causa, assim como a poliomielite, paralisia flácida aguda.

Casos desse tipo de paralisia são rotineiramente relatados à Iniciativa Global de Erradicação da Pólio e podem alertar precocemente países de baixa renda sobre surtos de zika.

A poliomielite foi erradicada no Brasil em 1994. OMS acredtia que, em países de baixa renda, serviços de saúde para a doença podem ajudar a monitorar surtos de zika. Foto: SES MG

A poliomielite foi erradicada no Brasil em 1994. OMS acredtia que, em países de baixa renda, serviços de saúde para a doença podem ajudar a monitorar surtos de zika. Foto: SES MG

Em busca de soluções economicamente viáveis para responder às infecções pelo zika e ao aumento no número de complicações neurológicas associadas ao vírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) está avaliando se a infraestrutura já existente para o controle da poliomielite pode ser utilizada também no combate à nova preocupação de saúde pública. Estratégia pode beneficiar países com recursos limitados para lidar com o zika.

Segundo a agência da ONU, a hipótese de aproveitar os serviços de pólio vem do fato de que o zika pode desencadear a Síndrome de Guillain-Barré (SGB), um problema de saúde raro em que o sistema imunológico de uma pessoa ataca os nervos periféricos. O resultado é a ocorrência da paralisia flácida aguda, um indicador tanto desta complicação, quanto da poliomielite.

A OMS aponta que aumentos na incidência de paralisia flácida aguda, rotineiramente relatados à Iniciativa Global de Erradicação da Pólio, podem fornecer um útil aviso prévio sobre surtos de zika, sobretudo quando as regiões afetadas incluem países de baixa renda.

Faltam evidências

Recentemente publicado em boletim da OMS, um estudo analisou dados publicados e não publicados sobre os surtos de zika ocorridos entre 2007 e 2015 em 21 ilhas do Pacífico. Também foram pesquisados registros da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio sobre o número anual de notificações de casos de paralisia flácida aguda em crianças com menos de 15 anos de idade.

Apenas nas Ilhas Salomão, um aumento significativo nas ocorrências desse tipo de paralisia foi correlacionado ao surgimento do zika. No geral, porém, as evidências não foram consideradas conclusivas para determinar se dados sobre paralisia flácida aguda, comumente notificados entre crianças, seriam de fato úteis para detectar a proliferação do zika.

A OMS lembra que, apesar de indivíduos todas as idades poderem ter a SGB, a condição é mais comum em adultos. Já a poliomielite afeta principalmente crianças menores de cinco anos e, portanto, o sistema de vigilância da pólio concentra seus esforços de monitoramento entre crianças menores de 15 anos.

Os pesquisadores concluíram que os dados sobre pessoas em idade adulta podem fornecer melhores evidências para determinar se a vigilância da paralisia oferece uma estratégia adequada para o alerta precoce de zika em países com recursos limitados para enfrentar crises.

Serviços de pólio já fortalecem combate a outras doenças

O esforço global para erradicar a poliomielite estabeleceu, nos últimos anos, uma ampla rede de serviços de diagnóstico e tratamento. Anualmente, mais de 100 mil casos da doença são investigados em todo o mundo. Nova em cada dez Estados-membros contam com sistemas de vigilância sólidos para detectar, comunicar e responder a ocorrências de pólio.

A rede tem sido utilizada de forma eficaz para identificar outras doenças além da poliomielite, como o sarampo, o ebola e a febre amarela. Na Nigéria, por exemplo, foi utilizada para deter o ebola e, na Índia, o sistema é usado para rastrear e acabar com focos de sarampo.


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