OMS aconselha mulheres grávidas a não viajar para áreas com transmissão do zika

“Isso inclui o Rio de Janeiro”, diz a nota da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), representação da agência nas Américas. Confira as demais recomendações feitas pela agência da ONU aos atletas e outros participantes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Foto: Agência Brasil

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) e sua representação nas Américas, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), emitiram nesta quinta-feira (12) uma declaração informando sobre os riscos associados ao surto de zika no contexto dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016, que ocorrerão entre os dias 5 de agosto e 18 de setembro.

A OPAS/OMS afirma reconhecer que “atletas e visitantes estão buscando mais informações sobre os riscos de zika e formas de prevenir a infecção” enquanto participam dos Jogos. O Brasil é um dos 58 países e territórios que até o momento registram transmissão contínua de vírus zika por mosquitos.

Embora mosquitos sejam os vetores principais, uma pessoa infectada por vírus zika também pode transmitir o vírus para outra por meio de sexo sem proteção, lembrou a agência da ONU. A doença por vírus zika normalmente causa sintomas leves e a maioria das pessoas não desenvolve nenhum sintoma.

Entretanto, acrescenta a OPAS/OMS, existe consenso científico que o vírus zika causa microcefalia – crianças que nascem com a cabeça menor do que o usual – e outras malformações do cérebro e distúrbios em bebês nascidos de mulheres que foram infectadas pelo vírus zika durante a gravidez. Além disso, o zika também está associado à Síndrome de Guillain-Barré, doença neurológica rara, mas grave, que desenvolve paralisia e pode levar à morte.

O comunicado informa que atletas e pessoas que visitam o Rio de Janeiro e outras áreas com circulação do vírus zika são encorajadas a seguir os conselhos de viagem fornecidos pela OMS e as autoridades de saúde de seus países, além de consultar um profissional de saúde antes de viajar.

Sempre que possível, durante o dia, a OMS recomenda a proteção contra picadas de mosquitos usando repelentes de insetos e vestindo roupas – de preferência de cor clara – que cubram o máximo possível do corpo.

Outra recomendação é a prática de sexo seguro – por exemplo, por meio do uso de preservativos de forma correta e consistente – ou se abster de sexo durante a estadia e por, pelo menos, quatro semanas após seu retorno, particularmente se apresentaram ou apresentam sintomas do vírus zika.

A OMS pede ainda que sejam escolhidas acomodações com ar-condicionado. Isso porque, geralmente, janelas e portas são mantidas fechadas para prevenir que o ar frio escape e, assim, os mosquitos não conseguem entrar nesses quartos.

A agência da ONU recomenda ainda “evitar visitar áreas empobrecidas e superlotadas” nas cidades e vilas sem água encanada e com saneamento deficiente (áreas com maior reprodução de mosquitos), onde o risco de ser picado é maior.

Além disso, as mulheres grávidas continuam a ser aconselhadas a não viajar para áreas com transmissão do vírus zika. “Isso inclui o Rio de Janeiro”, diz a nota. Os parceiros sexuais das gestantes que retornarem de áreas com circulação do vírus continuam a ser aconselhados a praticar sexo seguro ou abstinência durante toda a gravidez.

A OPAS/OMS lembra que os Jogos serão realizados durante o inverno do Brasil, quando há menos mosquitos ativos e o risco de ser picado é menor.

A Organização Pan-Americana de Saúde informou por meio da nota que está fornecendo aconselhamento em saúde pública ao governo do Brasil e, no âmbito de um Memorando de Entendimento, ao Comitê Olímpico Internacional e, por extensão, ao Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016, sobre formas de reduzir ainda mais o risco de atletas e visitantes contraírem vírus zika durante os Jogos.

Um foco importante do conselho da OMS gira em torno de medidas para reduzir as populações de mosquitos Aedes que transmitem chikungunya, dengue e febre amarela, além do vírus zika.

“A OMS/OPAS continuará a monitorar a transmissão e riscos do vírus zika no Brasil e em outras áreas afetadas para fornecer atualizações sobre como surtos de vírus zika, riscos e intervenções preventivas se desenvolvem entre agora e agosto e no futuro”, concluiu o comunicado.

Acompanhe todas as informações sobre o tema em nossa página especial: https://nacoesunidas.org/tema/zika