OMS: 222 milhões de mulheres que não querem engravidar não têm acesso a contraceptivos

Segundo agência da ONU, todos devem ter acesso a métodos contraceptivos, mas as populações mais vulneráveis – jovens e pobres que vivem em áreas rurais e favelas – não dispõem de tais serviços.

Agência da ONU fornece orientações sobre serviços e métodos contraceptivos. Foto: UNFPA

Como parte das atividades voltadas para o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou nesta quinta-feira (6) um conjunto de recomendações para que os países possam garantir que mulheres, meninas e casais tenham acesso às ferramentas necessárias para evitar uma gravidez indesejada, melhorando a sua saúde e o planejamento familiar.

“Garantir a disponibilidade e acessibilidade à informação, assim como os serviços necessários é crucial, não só para proteger os direitos, mas também a saúde de todos”, disse a diretora-geral-assistente da OMS para Família, Mulher e Saúde de Crianças, Flavia Bustreo.

Estima-se que 222 milhões de meninas e mulheres que não querem engravidar ou que querem atrasar sua próxima gravidez não utilizam qualquer método contraceptivo.

Nos países de renda média e baixa, as complicações da gravidez e do parto estão entre as principais causas de morte em mulheres jovens com idade entre 15 e 19 anos. Natimortos e morte na primeira semana de vida é 50% maior entre os bebês nascidos de mães menores de 20 anos do que entre os bebês nascidos de mães com idade entre 20 e 29 anos.

As populações mais vulneráveis à falta de acesso a serviços de contracepção são jovens, pobres e que vivem em áreas rurais ou favelas urbanas. Esforços têm sido feitos para atender a essa necessidade desde a Cúpula de Planejamento Familiar, realizada em 2012, em Londres, na qual a promessa de que serviços de planejamento familiar alcançariam pelo menos 120 milhões de pessoas a mais até 2020 foi feita.

A diretora do Departamento de Saúde Reprodutiva e Pesquisa da OMS, Marleen Temmerman, afirma que “não se trata apenas de números crescentes, é também sobre aumentar o conhecimento. É vital que as mulheres – e homens – entendam como funciona a contracepção, que sejam oferecidos opções de métodos e fiquem felizes com o método que recebem”.

A orientação da OMS é que todos os que procuram contracepção devem ser capazes de obter informações detalhadas e precisas, bem como uma variedade de serviços, como aconselhamento e produtos contraceptivos em um ambiente não discriminatório, não coercitivo e não violento.