Olimpíadas podem promover desenvolvimento sustentável e deixar legado positivo, destaca chefe da ONU

Nesta semana, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou a importância dos megaeventos esportivos para a promoção do crescimento econômico e social. O chefe das Nações Unidas, no entanto, reconheceu que benefícios para a população nem sempre são obtidos e dependem de esforços coordenados.

“Muito frequentemente, pessoas são deslocadas para abrir caminho para (a construção de) instalações que são usadas por um breve e reluzente momento e, em seguida, são abandonadas para acumular poeira”, afirmou. Corrupção e falta de transparência também foram citadas como problemas.

Jogos Olímpicos e Paralímpicos acontecem no Rio de Janeiro, em 2016. Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro / Portal Cidade Olímpica

Jogos Olímpicos e Paralímpicos acontecem no Rio de Janeiro, em 2016. Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro / Portal Cidade Olímpica

Nesta terça-feira (16), o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, destacou a importância das Olimpíadas e de outros megaeventos esportivos, como a Copa do Mundo, para a promoção do desenvolvimento sustentável e inclusivo. Segundo o dirigente máximo da ONU, além de inspirar e unir os povos pelo mundo, competições internacionais podem deixar heranças positivas de infraestrutura e crescimento econômico, caso sejam bem planejadas.

“Muito frequentemente, pessoas são deslocadas para abrir caminho para (a construção de) instalações que são usadas por um breve e reluzente momento e, em seguida, são abandonadas para acumular poeira”, afirmou Ban Ki-moon. Para o chefe da ONU, os países anfitriões e os patrocinadores devem se esforçar para construir legados duradouros e amplamente compartilhados pelos integrantes das sociedades que sediam as competições.

Ban Ki-moon acredita que, trabalhando em parceria com governos e comunidades locais, os megaeventos devem unir sua preparação específica a projetos e objetivos mais amplos, envolvendo a melhoria das cidades, o estímulo ao crescimento e ao emprego, bem como a promoção da acessibilidade para pessoas com deficiência. Com planejamento, disse Ban, tais competições podem levar a avanços sociais, a oportunidades de educação e à proteção do meio ambiente.

“O lema olímpico é ‘mais alto, mais rápido, mais forte’. Vamos trabalhar juntos para garantir que o lema para todos os futuros megaeventos esportivos também seja: mais limpo, mais verde e mais sustentável”, disse o secretário-geral. Apesar das oportunidades de desenvolvimento trazidas pelos diferentes jogos internacionais, “isso não vai acontecer por conta própria”, alertou o chefe da ONU, que enfatizou a necessidade de coordenar iniciativas.

“Nossa meta tem que ser colher os benefícios de tais eventos ao mesmo tempo em que limitamos a pegada de carbono, asseguramos os direitos dos trabalhadores, garantimos a transparência e combatemos a corrupção que tão recorrentemente acompanha os esforços nos quais montantes enormes de dinheiro estão envolvidos”, explicou o dirigente.

Ban Ki-moon expressou sua esperança de que os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, e também os Jogos Paralímpicos, promovam a sustentabilidade e a solidariedade.

O chefe da ONU lembrou ainda do reestabelecimento do conceito de Trégua Olímpica, fruto de uma parceria entre as Nações Unidas e o Comitê Olímpico Internacional. Durante as competições, combatentes em regiões de conflito no mundo concordam ou, pelo menos, deverão concordar em cessar as hostilidades até o fim dos Jogos. “Eu convoco todas as partes beligerantes a respeitar a Trégua Olímpica”, afirmou Ban Ki-moon.