Oito anos após independência, Sudão do Sul ‘viu mais guerra do que paz’, diz ACNUR

Na semana em que o Sudão do Sul — a nação mais jovem do mundo — completa oito anos de sua independência, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) pediu que líderes sul-sudaneses se empenhem em garantir a paz no país.

Desde 2013, o Estado mergulhou num conflito armado que teria provocado quase 400 mil mortes. A crise levou 2,3 milhões de cidadãos a buscar refúgio em outros países.

Uma mãe sul-sudanesa com o filho num centro de trânsito para refugiados e deslocados em Ituri, uma província da República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/Siegfried Modola

Uma mãe sul-sudanesa com o filho num centro de trânsito para refugiados e deslocados em Ituri, uma província da República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/Siegfried Modola

Na semana em que o Sudão do Sul — a nação mais jovem do mundo — completa oito anos de sua independência, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) pediu que líderes sul-sudaneses se empenhem em garantir a paz no país. Desde 2013, o Estado mergulhou num conflito armado que teria provocado quase 400 mil mortes. A crise levou 2,3 milhões de cidadãos a buscar refúgio em outros países.

O porta-voz do ACNUR Charlie Yaxley lembrou na terça-feira (9) — dia da independência — que, após a criação do Estado sul-sudanês, o país “viu tragicamente mais guerra do que paz”. Além dos refugiados, o organismo estima que exista 1,9 milhão de pessoas deslocadas dentro do Sudão do Sul — esses indivíduos tiveram de abandonar suas casas e comunidades por causa da violência, mas permanecerem dentro do território nacional.

De acordo com um estudo da London School of Hygiene & Tropical Medicine, financiado pelo Departamento de Estado dos EUA, a guerra civil teria provocado em torno de 383 mil mortes. Metades dos óbitos estaria associada diretamente à violência armada — é o caso, por exemplo, de sul-sudaneses que morreram por causa de ferimentos de guerra. A outra metade foi atribuída às consequências do conflito, como o colapso do sistema de saúde, a falta de comida e a perda de meios de subsistência, bem como o deslocamento para acampamentos superlotados.

A situação dos sul-sudaneses expatriados é considerada a pior crise de deslocamento forçado da África. De acordo com o ACNUR, a conjuntura tem impactos desproporcionais sobre as crianças, que representam em torno de 65% de todos os refugiados do Sudão do Sul.

Segundo Yaxley, garantir que os jovens sul-sudaneses, incluindo os refugiados, tenham acesso a uma educação adequada e a oportunidades para realizar o seu potencial é essencial caso o Sudão do Sul queira se tornar uma nação próspera e pacífica.

O levantamento mais recente do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) aponta que, até o final de julho, 6,9 milhões de sul-sudaneses — o equivalente a 61% da população do país — devem enfrentar fome aguda. O contingente de pessoas sem ter o que comer é o maior já registrado.

O OCHA e outras agências querem entregar suprimentos e ajuda para 5,7 milhões de sul-sudaneses. As operações exigem 1,5 bilhões de dólares. Do montante, apenas 38,7% foi disponibilizado por países e doadores.

O ACNUR e parceiros humanitários buscam ainda 1,4 bilhão de dólares para levar assistência humanitária aos refugiados sul-sudaneses em 2019. Mas até o momento, contribuições internacionais somam somente 21% do orçamento solicitado.

O ACNUR ressaltou que o Acordo de Paz de 12 de setembro de 2018 lançou as bases para acabar com os confrontos no país, após cinco anos de intensos confrontos. Na visão do organismo das Nações Unidas, houve progressos, mas pontos de tensão fundamentais continuam sem resolução, e a paz está longe de ser certa.

De acordo com informações da imprensa, nem todas as partes em conflito assinaram o termo de paz — o que tem provocado novos episódios de violência desde o início de 2019.

“O ACNUR acredita ser essencial que representantes das comunidades de refugiados e de deslocados internamente sejam participantes ativos e significativos do processo de paz. Qualquer acordo convincente deve incluir provisões claras e transparentes para a reconciliação”, afirmou a instituição.


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