OIT: salários crescem mais nos países em desenvolvimento, mas desigualdades permanecem

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Os salários cresceram mais nos países em desenvolvimento no ano passado, mas permaneceram bem abaixo do nível salarial das nações desenvolvidas, disse a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em relatório publicado na segunda-feira (26).

“Parece uma boa notícia, porque todos nós queremos ver uma convergência (entre os salários nos países) no mundo. Mas não podemos exagerar, porque as desigualdades ainda são muito grandes. Frequentemente, o nível salarial não é suficiente para as pessoas atenderem suas necessidades básicas”, disse o diretor-geral da OIT, Guy Rider.

Relatório da OIT indicou que mulheres recebem 20% menos que os homens, exercendo as mesmas funções. Foto: OIT/Marcel Crozet

Relatório da OIT indicou que mulheres recebem 20% menos que os homens, exercendo as mesmas funções. Foto: OIT/Marcel Crozet

Os salários cresceram mais nos países em desenvolvimento no ano passado, mas permaneceram bem abaixo do nível salarial das nações desenvolvidas, disse a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em relatório publicado na segunda-feira (26).

De acordo com o Relatório Global sobre Renda 2018/2019, os salários subiram apenas 0,4% no ano passado nas economias avançadas, mas tiveram alta de mais de 4% nos países em desenvolvimento.

“Estamos vendo algum grau — não quero exagerar — de convergência”, disse o diretor-geral da OIT, Guy Rider, lembrando que os “salários nos países em desenvolvimento estão aumentando mais rapidamente do que nos países de alta renda”.

“Parece uma boa notícia, porque todos nós queremos ver uma convergência no mundo. Mas não podemos exagerar, porque as desigualdades ainda são muito grandes. Frequentemente, o nível salarial não é suficiente para as pessoas atenderem suas necessidades básicas”, acrescentou.

Na média total, o crescimento global dos salários foi de 1,8% em 2017, frente a um avanço de 2,4% em 2016.

O documento lembra que o Brasil registrou crescimento salarial a partir de 2016, após uma fase de crescimento zero durante o período de 2012 a 2016, com queda durante 2015 e 2016.

O documento tem como base dados de 136 países. Nos últimos 20 anos, a média de salário real quase triplicou nos países emergentes e em desenvolvimento do G20, disse o relatório, enquanto nos países avançados do grupo, aumentaram apenas 9%.

Diante de crescimento tão fraco nas economias desenvolvidas em 2017 — com os salários atingindo seu nível mais baixo em uma década — o chefe da OIT lembrou com preocupação que isso aconteceu apesar de uma recuperação da economia global.

“É intrigante o fato de nas economias desenvolvidas vermos um crescimento fraco dos salários acompanhado de recuperação do PIB e queda do desemprego”, disse Ryder.

“Os salários estão crescendo muito mais devagar do que a produtividade. Eu acredito que isso tem implicações para a demanda; se você não tem dinheiro no bolso, não pode gastá-lo”, disse, lembrando que “se você não pode gastar, as empresas sofrem” e “as oportunidades de investimento se tornam mais raras”.

Desigualdade salarial entre gêneros

Pela primeira vez, o relatório da OIT também foca nas desigualdades salariais globais por gênero, usando dados de 70 países e de 80% dos trabalhadores do mundo.

Suas conclusões indicam que apesar de algumas diferenças regionais significativas, os homens continuam ganhando 20% mais que as mulheres; “talvez a principal injustiça do mundo do trabalho”, disse Ryder.

“Isso vai contra o princípio básico de igualdade salarial por trabalho de igual valor”, disse, lembrando que este princípio esteve presente “na constituição da OIT nos últimos 100 anos” e também está entre os objetivos da comunidade internacional para os próximos anos, como parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Em países de alta renda, as desigualdades salariais por gênero ocorre principalmente em altos cargos. Nos países de baixa e média renda, no entanto, as diferenças salariais são mais amplas entre trabalhadores com salários mais baixos, disse o relatório.

Seus dados também sugerem que explicações tradicionais — como diferenças nos níveis de educação entre homens e mulheres que trabalham — têm papel limitado na explicação das desigualdades salariais entre os gêneros.

“Em muitos países, as mulheres têm mais educação do que os homens, mas ganham menos, mesmo quando trabalham nas mesmas categorias ocupacionais”, disse a especialista da OIT Rosalia Vazquez-Alvarez. “Os salários de homens e mulheres também tendem a ser menores em empresas e ocupações com predominância da mão de obra feminina”.

Para reduzir as desigualdades, ela recomenda uma maior ênfase na garantia do salário igualitário para homens e mulheres que exercem a mesma função, e enfrentar a desvalorização do realizado majoritariamente por mulheres.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).


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