OIT promove oficinas de capacitação para produtores rurais do Mato Grosso

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A Organização Internacional do Trabalho (OIT) promove desde setembro oficinas de capacitação para produtores agrícolas de Cangas, sul do estado do Mato Grosso. Os cursos de formação técnica tiveram como objetivo favorecer o empoderamento comunitário, uma vez que os produtores passaram a enxergar o trabalho colaborativo como solução para geração de renda, segundo a agência da ONU.

Valentim sonha com os benefícios que o processamento de frutas pode gerar para a comunidade. Foto: OIT/ Simone Ponce

Valentim sonha com os benefícios que o processamento de frutas pode gerar para a comunidade. Foto: OIT/ Simone Ponce

A despolpadeira — máquina de extração da polpa de frutas — era um desejo antigo dos moradores de Cangas, sul do estado de Mato Grosso. Apesar de a instalação ter sido inaugurada na comunidade pela prefeitura de Poconé em janeiro, ainda estava inativa devido à falta de treinamento técnico dos produtores locais.

O produtor Valentim Martinotto vive a 500 metros da unidade de processamento e tira seu sustento da terra há mais de 30 anos. Em setembro, passou a ver seu sonho de fabricar geleias e doces se tornar realidade após o início de uma série de oficinas de capacitação sobre processamento de frutas e verduras, realizada na cidade pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela Central de Associações da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Município de Poconé (CAAFESP).

Desde então, já foram realizadas três oficinas e ainda há mais um evento de formação técnica previsto para acontecer no começo de dezembro.

Para a consultora da OIT Simone Ponce, “as oficinas favorecem o empoderamento comunitário, uma vez que os produtores passam a enxergar o trabalho colaborativo como solução para geração de renda”.

“Por meio de ações de desenvolvimento social, famílias são estimuladas a produzir e processar os alimentos em seu local de origem, agregando valor aos produtos e reduzindo a atuação de intermediários. É um exercício de busca por novos caminhos que tem como objetivo a sustentabilidade das comunidades.”

Valentim participou de todos os treinamentos até agora. Para ele, as atividades foram importantes para promover a troca de conhecimentos e informações na comunidade. “Os eventos fortalecem o vínculo entre as associações, que passam a se encontrar mais vezes para discutir os assuntos coletivos de forma participativa”, declarou.

A gestão comunitária da unidade de processamento é uma conquista em termos de resgate da autoestima dos trabalhadores de Poconé. Com a produção de goiaba, manga e banana, Valentim sustentou sua família e educou os quatro filhos, três engenheiros agrônomos e uma especialista em tecnologia em alimentos.

Ele acredita que a agroindústria deve incrementar os ganhos e os lucros dos produtores da região, pois o processamento de frutas agrega valor aos alimentos, que não serão ingeridos apenas in natura. “Vai faltar doceira para consumir a minha produção”, disse.

A demanda pelas capacitações surgiu da própria CAAFESP. O contato com a OIT começou no distrito Nossa Senhora do Chumbo, próximo a Cangas, onde o Programa Ação Integrada realizou atividades de fortalecimento comunitário com o apoio de parceiros como a própria agência da ONU, a Comissão Pastoral da Terra e o Centro Burnier Fé e Justiça.

Na última oficina, realizada na semana passada (19) com a comunidade de Jijum, em Cangas, os produtores discutiram de forma participativa o melhor modelo de gestão para a unidade de processamento.

A unidade de processamento em Cangas será gerida de forma participativa pelas associações locais Foto: OIT/Simone Ponce

A unidade de processamento em Cangas será gerida de forma participativa pelas associações locais Foto: OIT/Simone Ponce

O evento também teve a participação da Associação de Mulheres Rurais Fruto do Vale (AMFRUVALE), do município de Tangará da Serra (MT), e promoveu a troca de experiências com a apresentação de projetos de associativismo e cooperativismo.

Em Tangará da Serra, a comunidade se envolveu de forma espontânea com a prática da economia solidária. A organização coletiva fortaleceu as capacidades locais e, atualmente, os trabalhadores conseguem gerar renda a partir de atividades agrícolas.

A produtora rural Dalva do Nascimento, que confecciona artesanato com fibra de bananeira, expressou sua satisfação ao expor os resultados das iniciativas de economia solidária. “É uma alegria poder visitar esta região de natureza tão rica e, além disso, conhecer os produtores, falar sobre as boas práticas que desenvolvemos em Tangará da Serra”.


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