OIT: países devem agir para que inovações criem oportunidades no mundo do trabalho

Inovações sem precedentes no mundo do trabalho oferecem “inúmeras oportunidades”, mas os países devem agir para que elas não criem mais desigualdades e incertezas, segundo um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado nesta terça-feira (22).

Segundo o relatório, forjar esse novo caminho requer ação comprometida por parte de governos, bem como organizações de empregadores e trabalhadores.

O documento sugere que os países garantam direito universal à aprendizagem ao longo da vida; intensifiquem os investimentos em instituições, políticas e estratégias que irão apoiar as pessoas ao longo de transições de trabalho futuras; implementem uma agenda transformadora e mensurável para a igualdade de gênero; forneçam proteção social universal do nascimento até a velhice.

Trabalhadores em indústria eletrônica de Bekasi, na Indonésia. Foto: OIT/A. Mirza

Trabalhadores em indústria eletrônica de Bekasi, na Indonésia. Foto: OIT/A. Mirza

Inovações sem precedentes no mundo do trabalho oferecem “inúmeras oportunidades”, mas os países devem agir para que elas não criem mais desigualdades e incertezas, segundo um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado nesta terça-feira (22).

“Inúmeras oportunidades estão à frente para melhorar a qualidade de vida profissional, ampliar as escolhas, reduzir as desigualdades de gênero e reverter os danos causados ​​pela desigualdade global”, disse o relatório da Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho. “No entanto, nada disso acontecerá por si só. Sem ação decisiva, estaremos agindo como sonâmbulos em um mundo que amplia as desigualdades e as incertezas existentes”, completou.

Segundo o relatório, forjar esse novo caminho requer ação comprometida por parte de governos, bem como organizações de empregadores e trabalhadores. “Eles precisam revigorar o contrato social que dá aos trabalhadores uma participação justa no progresso econômico, respeito aos seus direitos e proteção contra risco em troca de sua contribuição contínua para a economia”.

O documento sugere que os países garantam direito universal à aprendizagem ao longo da vida; intensifiquem os investimentos em instituições, políticas e estratégias que irão apoiar as pessoas ao longo de transições de trabalho futuras; implementem uma agenda transformadora e mensurável para a igualdade de gênero; forneçam proteção social universal do nascimento até a velhice.

Delineando os desafios colocados pelas novas tecnologias, demografia e mudança climática, a Comissão Global pede uma resposta coletiva e mundial para aproveitar tais mudanças para o bem.

O relatório esclarece que, embora a inteligência artificial, a automação e a robótica possam reduzir empregos, esses mesmos avanços tecnológicos, juntamente a uma economia mais verde, têm o potencial de criar vagas para milhões de pessoas.

“As questões destacadas neste relatório são importantes para as pessoas em todos os lugares e para o planeta”, declarou o diretor-geral da OIT, Guy Ryder. “Elas podem ser desafiadoras, mas ignorá-las é por nossa conta e risco”.

Co-presidido pelo presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e pelo primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven, a Comissão Global apresentou uma agenda centrada no ser humano, baseada no investimento em pessoas, instituições de trabalho e emprego decente e sustentável.

Ramaphosa chamou o relatório de “uma contribuição vital” para entender a natureza global das mudanças em andamento, juntamente com aquelas que ainda estão por vir.

“O relatório deve estimular o engajamento e as parcerias dentro e entre as jurisdições nacionais e regionais para garantir que a economia e a sociedade globais se tornem mais equitativas, justas e inclusivas”, disse ele.

O relatório é a culminação de uma análise de 15 meses feita pela Comissão de 27 membros, composta por figuras importantes, inclusive de empresas, grupos de especialistas, organizações governamentais e não governamentais.

Löfven ressaltou, por sua vez, que essas mudanças radicais criam “muitas oportunidades para mais e melhores empregos”, acrescentando que governos, sindicatos e empregadores devem trabalhar juntos para tornar as economias e os mercados de trabalho mais inclusivos.

“Esse diálogo social pode ajudar a globalização a funcionar para todos”, afirmou o co-presidente.

O relatório também destacou o “papel único” da OIT no desenvolvimento e fornecimento de um sistema internacional com uma “agenda econômica centrada no ser humano”, e pediu à agência da ONU que dê atenção urgente à implementação das recomendações do relatório.

“O mandato da OIT, reunindo governos, empregadores e trabalhadores de todas as partes do mundo, significa que a organização está bem preparada para agir como uma bússola e um guia para ajudar a abrir novos horizontes no trabalho para as próximas gerações”, concluiu Ryder.

Criada em 1919, no rescaldo da Primeira Guerra Mundial, a OIT comemora 100 anos de defesa do trabalho decente e da globalização justa.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).