OIT: metade dos trabalhadores latino-americanos tem meios de subsistência ameaçados

Uma forte queda nas horas de trabalho, equivalente a 31 milhões de empregos, e o risco de perda de renda afetam mais de 140 milhões de pessoas na América Latina e Caribe, que teve um 1º de Maio atípico, sob medidas de confinamento para conter a pandemia da COVID-19.

Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê que 10,5% das horas trabalhadas serão perdidas na América Latina e no Caribe no segundo trimestre na comparação com o quarto trimestre do ano passado. Isso equivale a algo entre 25 milhões e 31 milhões de empregos em período integral.

Peruanos têm a temperatura medida em Lima. Foto: Município de Lima

Peruanos têm a temperatura medida em Lima. Foto: Município de Lima

Uma forte queda nas horas de trabalho, equivalente a 31 milhões de empregos, e o risco de perda de renda afetam mais de 140 milhões de pessoas na América Latina e Caribe, que teve um 1º de Maio atípico, sob medidas de confinamento para conter a pandemia da COVID-19.

Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê que 10,5% das horas trabalhadas serão perdidas na América Latina e no Caribe no segundo trimestre na comparação com o quarto trimestre do ano passado. Isso equivale a algo entre 25 milhões e 31 milhões de empregos em período integral.

Os novos dados sobre a região constam na terceira edição “Monitor OIT: COVID-19 e o mundo do trabalho ” (em inglês), divulgado nesta semana.

O indicador da perda de horas de trabalho “apresenta uma deterioração significativa”, destacou o relatório, que esclarece que se trata de um dado com impacto geral no emprego, e não no desemprego. O documento também aborda a situação das pessoas empregadas em condições informais e o impacto da crise sobre sua renda.

Na América Latina e no Caribe, cerca de 158 milhões de pessoas que trabalham em condições de informalidade, o equivalente a 54% do total do emprego, devem ter sua renda reduzida em até 81%, uma proporção bem acima da medida global de 60%, segundo os dados coletados no âmbito da preparação do relatório.

Além disso, o relatório estima que, na região, correm alto risco de perder os meios de subsistência devido a restrições à atividade econômica cerca de 89% das(os) trabalhadoras(es) informais, aproximadamente 140 milhões de pessoas ou quase metade da força de trabalho regional total.

“Um inimigo invisível afetou os mercados de trabalho da região e expôs os problemas de instabilidade no emprego, baixa renda, precariedade e pouca ou nenhuma proteção que implica o trabalho em condições de informalidade”, disse Vinícius Pinheiro, diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe.

O relatório global da OIT também apresenta dados sobre os efeitos da pandemia sobre as empresas. O estudo mostra que, em todo o mundo, cerca de 436 milhões de empresas de vários tamanhos nos setores econômicos mais afetados “enfrentam um alto risco de sofrer choques graves”.

“Nunca antes os mercados de trabalho da América Latina e do Caribe enfrentaram um desafio dessa magnitude, teremos que reconstruir o mundo do trabalho, o que implica tomar medidas para restaurar uma rede que inclua o emprego, a renda e as empresas “, disse o diretor regional da OIT.

O novo relatório da OIT apresenta uma série de recomendações sobre o tipo de medidas a serem implementadas para proteger empresas e empregos e atribui importância fundamental às medidas de proteção social que podem apoiar a população mais vulnerável e, portanto, conter o risco de colapso socioeconômico.

Pinheiro também destacou que será necessário levar em consideração as medidas de segurança e saúde no trabalho como elemento central. Ele afirmou que o local de trabalho “se tornou o território onde uma das batalhas mais decisivas contra a pandemia está sendo travada”.

“O local de trabalho como o conhecíamos não existe mais”, disse ele durante uma conferência sobre o tema realizada nesta semana, na qual foi destacada a questão da segurança e saúde no local de trabalho durante a emergência, no caso dos setores que continuaram operando, sendo ainda mais relevante quando as atividades produtivas forem retomadas.

“A superação da pandemia e a prevenção de novos surtos quando houver a reativação da economia dependerão do sucesso que tivermos na aplicação de medidas de saúde e segurança no trabalho”, acrescentou.

Por outro lado, ele ressaltou que os países da região também devem enfrentar o desafio de encontrar formas de diálogo social com a participação de governos, empregadores e trabalhadores.

“É importante que estejamos todos na mesma mesa, para que as medidas e as estratégias tenham viabilidade política e sustentabilidade”.