OIT: mais da metade da população global não está coberta por nenhum tipo de proteção social

Relatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que mais da metade da população mundial, ou quase 4 bilhões de pessoas, não está coberta por nenhum tipo de proteção social.

Em entrevista à ONU News, o diretor do escritório da agência em Nova Iorque, Vinícius Pinheiro, explicou os principais pontos do relatório. “De fato, na Agenda 2030, há uma meta de proteção social para todos, que é a meta 1.3. O que o relatório mostra é que nós estamos muito longe de alcançar essa meta”, declarou.

Ronda (direita) não tem casa e lava suas roupas na unidade de proteção de civis da ONU em Wau, Sudão do Sul. Foto: UNICEF/Ohanesian (arquivo)

Ronda (direita) não tem casa e lava suas roupas na unidade de proteção de civis da ONU em Wau, Sudão do Sul. Foto: UNICEF/Ohanesian (arquivo)

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançou na quarta-feira (29) um relatório que afirma que apesar do progresso significativo na extensão da proteção social em muitas partes do mundo, esse direito ainda não é uma realidade para a maioria da população.

Em entrevista à ONU News, o diretor do escritório da agência em Nova Iorque, Vinícius Pinheiro, explicou os principais pontos do relatório. “De fato, na Agenda 2030, há uma meta de proteção social para todos, que é a meta 1.3. O que o relatório mostra é que nós estamos muito longe de alcançar essa meta”, declarou.

Segundo o documento, 4 bilhões de pessoas, o equivalente a cerca de 53% da população global, não está protegida por nenhum tipo de benefício social como, por exemplo, apoio a crianças, à maternidade, benefícios em caso de invalidez ou desemprego, apoio ao idoso, aposentadoria por velhice ou apoio em situação de pobreza.

“Então, são 4 bilhões de pessoas que estão excluídas e que se o mundo quiser atingir essa meta da Agenda 2030, tem que redobrar os esforços em termos de cobertura”, disse Pinheiro.

De acordo com o diretor do escritório da OIT, no continente africano, 82% da população não está coberta por nenhum tipo de benefício. Entre esses países, Cabo Verde está acima da média, com cobertura de 30,4%, enquanto Moçambique tem uma cobertura muito baixa, de 10,9%.

Nas Américas, a cobertura da proteção social é de 33%.

Com relação aos países de língua portuguesa, Portugal é o mais avançado, com proteção social de 90,2%. Em segundo lugar vem o Brasil, com 60% da população protegida. Segundo Pinheiro, não há informações sobre os demais países lusófonos.

O chefe da OIT em Nova Iorque destacou a importância da cobertura universal, de benefícios adequados e sistemas sustentáveis ao longo do tempo.

Ele ressaltou ainda que “cortar proteção social em épocas de crise não é uma boa política econômica”, destacando que o relatório é “bastante enfático sobre a necessidade de preservar ou mesmo ampliar despesas e cobertura da proteção social particularmente em épocas de crise”.


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