OIT debate inclusão de jovens em postos de trabalho do futuro

Segundo relatório, dois terços dos empregos em países em desenvolvimento são suscetíveis à automação — o que pode agravar o desemprego entre os jovens, uma parcela da população com taxas de desocupação já acima das médias nacionais.

Os desafios de inclusão da juventude foram tema de painel promovido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Buenos Aires, na Argentina. Agência defendeu a cooperação entre países do Sul global em prol da inserção laboral dos jovens.

Painel da OIT reuniu representantes do setor privado, organizações internacionais, sindicatos e juventude para debater os desafios da inclusão laboral dos jovens em países em desenvolvimento. Foto: OIT

Em encontro de lideranças de países em desenvolvimento, em Buenos Aires, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) defendeu o uso da cooperação Sul-Sul para promover a inclusão dos jovens no mercado de trabalho. Painel realizado pela agência da ONU também debateu os desafios que as novas tecnologias trazem para a geração de emprego no futuro. Estima-se que dois terços dos empregos em países em desenvolvimento são suscetíveis à automação.

A reunião da OIT aconteceu em março (21), paralelamente à Conferência da ONU sobre Cooperação Sul-Sul (BAPA+40), que reuniu na capital da Argentina mais de mil representantes de governos, setor privado e sociedade civil.

“Os jovens hoje em dia têm que estar mais bem preparados, sobretudo porque estamos na quarta revolução industrial, na qual muitos empregos serão substituídos pela inteligência artificial. Mas ao mesmo tempo, serão gerados muitíssimos outros empregos”, ressaltou durante o painel da OIT a jovem liderança para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), Victoria Alonsoperez.

O relatório mais recente da Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho, de janeiro deste ano, aponta que dois terços dos empregos em países em desenvolvimento são suscetíveis à automação no futuro. Um diagnóstico de 2017 do Instituto Global McKinsey estima que cerca de 60% de todas as ocupações têm pelo menos um terço de suas atividades passíveis de serem automatizadas.

Contudo, a adoção de novas tecnologias e modelos produtivos permitirá a geração de emprego em outras áreas. A OIT calculou, por exemplo, o impacto do cumprimento do Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas no mundo trabalho. O tratado prevê uma transição ampla para economias de baixo carbono, com diminuição do uso de combustíveis fósseis — o objetivo é limitar a 2ºC o aquecimento médio do planeta até 2100. De acordo com a OIT, a implementação do Acordo levaria a uma perda de 6 milhões de empregos, mas geraria outros 24 milhões de postos.

Também presente no evento da agência das Nações Unidas, Fabio Isaac Fallas, diretor-executivo da Câmara de Empresas Privadas da Costa Rica, alertou que a dificuldade de inserção da juventude nos mercados já é um problema atualmente. Segundo o especialista, existem hoje 30 milhões de jovens na América Latina que não estão nem estudando nem trabalhando nem incluídos em nenhum sistema de capacitação.

“O desemprego juvenil triplica, em muitos países, em relação ao desemprego nacional. Isso tem a ver com a educação. Não estão capacitando e formando as pessoas no (conjunto de habilidades) que realmente é necessário”, avaliou o representante do setor privado.

Rebeca Grynspan, secretária-Geral da Secretaria Geral Ibero-Americana e integrante da Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho, defendeu que, em tempos de transição laboral para novos modelos produtivos, é necessário promover o direito universal à educação continuada e o direito à proteção social.

Durante o painel, o diretor do Escritório da OIT em Santiago, Fabio Bertranou, lançou o relatório Cooperação Sul-Sul e Triangular: Boas Práticas de Trabalho Decente no caminho para a BAPA+40 e além. A publicação detalha iniciativas da América Latina, Caribe, África, Ásia, Estados árabes e Europa para promover condições adequadas de trabalho. No documento, são discutidos programas para combater abusos trabalhistas e violações de direitos humanos, promover a formalização de empresas, estimular os “empregos verdes”, impulsionar o empreendedorismo das mulheres, entre outros temas.

Acesse o relatório clicando aqui.

A Conferência da ONU sobre Cooperação Sul-Sul em março foi a segunda já realizada em toda a história. A primeira reunião do gênero aconteceu há 40 anos e teve a participação de 138 ministros das Relações Exteriores de países do Sul global. As quatro décadas de distância entre os dois eventos deu nome ao evento de 2019, conhecido pela sigla BAPA+40.

Para mais detalhes sobre a participação da OIT na BAPA+40, clique aqui.


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