OIT: Crescimento salarial do último ano ocorreu quase inteiramente nas economias emergentes do G20

Disponibilidade de empregos e salários crescentes têm sido essenciais para o desenvolvimento em nações que têm reduzido a desigualdade, como Brasil, Argentina e Rússia. Enquanto isso, países desenvolvidos tiveram estagnação ou redução salarial.

Crescimento do emprego tem sido essencial para desenvolvimento em países onde desigualdade está diminuindo, como o Brasil. Foto:Banco Mundial/Lakshman Nadaraja

Crescimento do emprego tem sido essencial para desenvolvimento em países onde desigualdade está diminuindo, como o Brasil. Foto:Banco Mundial/Lakshman Nadaraja

As economias emergentes do G20 foram quase inteiramente responsáveis pelos casos de crescimento das massas salariais no último ano, ainda que o aumento tenha sido modesto e esteja em desaceleração, diz o Relatório Global de Salários 2014/1015 lançado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta sexta-feira (05). O crescimento salarial mundial desacelerou em 0,2% no ano de 2013, tendo atingido 2,0% – e, por isso, ainda deve aumentar em 1% para alcançar os índices registrados em 2007, período anterior à crise financeira mundial.

No entanto, as nações em desenvolvimento apresentaram taxas positivas de crescimento salarial, com significativa variação de acordo com a região. A América Latina e o Caribe tiveram elevação de apenas 0,8%, enquanto o índice foi de 6% na Ásia e de 5,8% no leste europeu.

Já nos países desenvolvidos, o aumento dos salários foi quase inexistente pelo segundo ano consecutivo – enquanto algumas dessas nações chegaram a apresentar declínio. Além disso, a produtividade do trabalho continua a ultrapassar o crescimento da massa salarial – o que demonstra queda na parcela do Produto Interno Bruto (PIB) que alcança os trabalhadores.

O relatório ainda destaca que, em países onde a desigualdade diminuiu – como o Brasil, a Argentina e a Rússia – os salários e os crescentes níveis de emprego têm sido os principais fatores para o desenvolvimento.

A OIT pediu estratégias internacionais coordenadas para que os países não tentem elevar as exportações por meio da repressão salarial ou da redução dos benefícios sociais, uma vez que isso pode alimentar uma séria contração da produção e do comércio.