OIT: altas taxas de emprego informal atrasam desenvolvimento de países de América Latina e Caribe

Um dos fatores que tem atrasado significativamente melhoras socioeconômicas nos países da América Latina e Caribe nos últimos anos é a relativamente baixa qualidade dos empregos disponíveis no mercado de trabalho da região, segundo relatório publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em 2013, o emprego informal respondia por quase metade (46,8%) do total de empregos não agrícolas desses países.

Em 2013, o emprego informal respondia por quase metade (46,8%) do total de empregos não agrícolas dos países de América Latina e Caribe. Foto: Arisson Marinho/AGECOM

Em 2013, o emprego informal respondia por quase metade (46,8%) do total de empregos não agrícolas dos países de América Latina e Caribe. Foto: Arisson Marinho/AGECOM

Um dos fatores que tem atrasado significativamente melhoras socioeconômicas nos países da América Latina e Caribe nos últimos anos é a relativamente baixa qualidade dos empregos disponíveis no mercado de trabalho da região, segundo relatório publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) na terça-feira (21).

Em 2013, o emprego informal respondia por quase metade (46,8%) do total de empregos não agrícolas na América Latina e Caribe, com variações acentuadas entre os países.

Enquanto o  percentual de emprego informal na força de trabalho não-agrícola está em 80,5% na Nicarágua, 70% em Bolívia e Honduras, 50% em Colômbia, México e Peru, fica em 33,6% na Costa Rica e abaixo dos 40% no Brasil, segundo o levantamento. Em países da África e da Ásia Central, com níveis de renda semelhantes, os índices geralmente ficam abaixo de 50%.

Dados históricos da região mostram que a fatia do emprego informal aumentou na primeira metade dos anos 2000, atingindo 52% do total de empregos não agrícolas em 2005, antes de gradualmente cair aos níveis registrados em 2013.

O emprego informal afeta desproporcionalmente certas categorias de trabalhadores. Em particular, é mais comum entre mulheres — representa 49,7% do emprego feminino e 44,5% do emprego masculino.

Da mesma forma, os jovens são mais propensos a estar no emprego informal do que os adultos — 55,7% do total do emprego dos jovens são informais e 44,9% dos empregos de adultos.

Além disso, a informalidade é mais frequente entre indivíduos com formação básica — 64,4% dos trabalhadores com educação primária ou sem estudos estão no emprego informal — assim como entre os mais pobres — 72,5% dos trabalhadores na base da pirâmide de renda  têm empregos informais na região.

O emprego informal também é particularmente disseminado no setor de construção civil (68,6%), nos setores de comércio, restaurantes e hotéis (55,7%) e nos setores de transportes, armazenagem e comunicação (49,7%), segundo dados de 2014.

Como resultado da disseminação da informalidade, o emprego vulnerável permanece alto na região. O percentual de empregos vulneráveis no total de empregos ficou em 31% em 2015 — abaixo dos 35,6% em 2000.

Esses números podem ser comparados aos indicadores de 18% nos países árabes, 32,6% na Ásia Central e Ocidental e 11,2% no Leste da Europa, enquanto em muitas economias asiáticas a participação do emprego vulnerável ainda está acima de 50%.

A incidência de subempregos caiu durante a última década, mas permanece preocupante, principalmente em países como Argentina (15,2% em 2012), Colômbia (12,4% em 2012) e Nicarágua (22,2%, em 2013).

Esses índices são relativamente altos comparados a países de outras regiões com dados disponíveis. O subemprego afeta, por exemplo, apenas 3,1% da força de trabalho da Mongólia e 2,9% da África do Sul. Níveis mais altos de subempregos são vistos em países do sul da Ásia, como Bangladesh (20,3%).

Veja aqui o relatório completo da OIT (em inglês).