Oficinas, palestras e exposições marcam no Brasil os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres

Durante 16 dias, de 25 de novembro a 10 de dezembro, a ONU Mulheres organiza atividades em Brasília, Rio de Janeiro e João Pessoa para debater diversos aspectos da violência de gênero.

Oficinas com juízas e juízes sobre feminicídio (morte de mulheres por razões violentas de gênero), palestra para as tropas de paz das Américas, exposição em grafite, debate virtual com especialistas e blogueiras, iluminação de prédios, cine na praça e ações com o Parlamento e a comunidade do samba.

Para diferentes públicos, a ONU Mulheres Brasil – Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres – leva a mensagem da não violência durante os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, de 25 de novembro a 10 de dezembro (Dia dos Direitos Humanos), para Brasília, Rio de Janeiro e João Pessoa.

“Nosso esforço é para que mulheres e homens, meninas e meninos, façam parte da solução para erradicarmos a violência de gênero. Não podemos tolerar nem aceitar que uma a cada três mulheres e meninas vivenciem a violência. Nosso trabalho é alterar atitudes e comportamentos machistas. Uma de nossas ações centra energia em homens e meninos com a iniciativa O Valente não é Violento, para a qual levaremos materiais e práticas pedagógicas para as escolas”, diz a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman.

Dia Laranja: solidariedade e ação – Com a cor laranja, os prédios da ONU em Nova York e em Brasília simbolizarão, a partir desta terça-feira (25), a solidariedade para com as vítimas da violência sexista e o compromisso com um futuro sem violações dos direitos.

Nove países das Américas – Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guatemala, Paraguai, Peru e Uruguai – acompanharão também nesta terça-feira (25) a palestra “Perspectiva de Gênero nas Operações de Paz”, ministrada em Itaipava (RJ) pela representante da ONU Mulheres Brasil. Gasman abordará os protocolos para o atendimento e a participação de mulheres nos processos de paz em países em situação de conflito com base em documentos da ONU referente ao tema e na Plataforma de Ação de Pequim, que completará 20 anos em 2015.

Pequim+20 em Grafitti é o tema de exposição a ser inaugurada, nesta terça (25), no Rio de Janeiro. Em 12 painéis grafitados por mulheres, a convite da ONU Mulheres, Instituto Avon e Rede Nami, são revistas as 12 prioridades da Plataforma de Ação de Pequim. Além da exposição, haverá roda de conversa sobre o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Rede digital – Pela internet, o Hangout ONU Mulheres Pequim+20 tratará, nesta quarta (26), das 14h30 às 16h, da prioridade “A Violência contra as Mulheres” com especialistas e blogueiras. O primeiro grupo estará representado pela secretária-adjunta de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Rosangela Rigo, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República; Braulina Aurora, indígena e estudante da Universidade de Brasília; e Marcos Nascimento, integrante da organização não-governamental Promundo, voltada à discussão de masculinidades. Pelas blogueiras, estarão participando as jornalistas Djamila Ribeiro (Blogueiras Negras) e Juliana Faria (Chega de Fiu-Fiu).

Tipificação do feminicídio – Com juízas, juízes e operados de justiça, a ONU Mulheres, a Secretaria de Políticas para as Mulheres e a Embaixada da Áustria discutirão, em 26 e 27 de novembro, a adaptação à legislação brasileira do Protocolo Latino-americano para Investigação de Mortes de Mulheres por Razões de Gênero por meio da tipificação do feminicídio como qualificadora do assassinato de mulheres. No Brasil, cerca de 5 mil mulheres são assassinadas por ano. Atualmente, 13 nações contam com legislação sobre feminicídio: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru e Venezuela.

Saiba mais sobre o assunto e veja a agenda completa das atividades programadas clicando aqui.

Uma a cada três mulheres sofre algum tipo de violência de gênero durante sua vida

Marcando a data, Michel Sidibé, diretor executivo do UNAIDS, alertou que uma a cada três mulheres sofre algum tipo de violência de gênero durante sua vida – e aproximadamente 120 milhões de mulheres são agredidas sexualmente ou violentadas antes de chegarem aos 20 anos.

“A violência muitas vezes ocorre próxima da total impunidade, escondida atrás de valores considerados culturais. A relação entre violência e HIV é inegável”, afirmou Sidibé. “Para mulheres vivendo com HIV, a violência em forma de uma esterilização forçada é uma violação dos direitos humanos fundamentais.”

O diretor executivo do UNFPA, Babatunde Osotimehin, destacou que é preciso pôr fim com à desigualdade de gênero e à impunidade que permite que esse tipo de violência e sofrimento continue em escala tão generalizada. “Os governos têm a responsabilidade de respeitar os direitos humanos de todas e todos, garantir a segurança e a justiça”, disse.

“Do abuso doméstico à violência sexual, do bullying virtual ao tráfico de seres humanos, de casamentos precoces e forçados de crianças à mutilação genital feminina, é hora de acabar com a violência contra mulheres e meninas em todas as suas formas”, afirmou Osotimehin.

A diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, também enviou uma mensagem para a data. Ela lembrou que, atualmente, uma mulher entre 15 e 44 anos de idade está em maior risco de ser vítima de estupro ou violência doméstica do que ser vítima de câncer, acidente de carro, guerra ou malária.

“A violência contra as mulheres é um fenômeno complexo e multifacetado, que abrange a violência econômica, física, sexual e psicológica. Ocorre em todas as sociedades, desenvolvidas e em desenvolvimento, e em todas as classes sociais, com consequências devastadoras para a sociedade como um todo”, completou Bokova.