Oficinas em Boa Vista (RR) visam fortalecer atendimento psicossocial e de saúde mental

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) deu início a uma série de oficinas para capacitar profissionais que trabalham na atenção primária e na atenção psicossocial em Boa Vista e no estado de Roraima.

O projeto é financiado com recursos doados pela Embaixada do Japão para apoiar o governo nas ações de resposta ao fluxo migratório no país.

Maria e seu bebê no abrigo em Boa Vista, Roraima. Foto: ACNUR/ Victor Moriyama

Mariese e seu bebê no abrigo em Boa Vista, Roraima. Foto: ACNUR/ Victor Moriyama

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) deu início a uma série de oficinas para capacitar profissionais que trabalham na atenção primária e na atenção psicossocial em Boa Vista e no estado de Roraima.

O projeto é financiado com recursos doados pela Embaixada do Japão para apoiar o governo nas ações de resposta ao fluxo migratório no país.

A primeira oficina do projeto “Fortalecimento de Capacidades Locais em Saúde Mental e Apoio Psicossocial no Contexto do Fluxo Migratório em Boa Vista, Roraima” aconteceu nos dias 12 e 13 de dezembro e reuniu 45 profissionais das redes municipal e estadual e docentes da Universidade Federal de Roraima (UFRR) que atuam diretamente na assistência a migrantes e refugiados.

Segundo Akemi Kamimura, consultora em direitos humanos da OPAS/OMS, esse é um módulo introdutório desenhado após um extenso e detalhado trabalho de campo.

“Ao longo de cinco meses, foi realizado mapeamento de recursos e avaliação de necessidade. A equipe do projeto realizou visitas a instituições, abrigos e serviços públicos; também conversamos e ouvimos os principais atores envolvidos para entender a dinâmica do município e do estado e para possibilitar a participação e escuta das pessoas mais interessadas nas atividades”, afirmou. A facilitação da oficina foi feita por Sandra Fortes e Fabiana Chicralla, especialistas contratadas pelo projeto.

Após esta fase introdutória, os profissionais ainda participarão de dois módulos: um especializado (15, 16 e 17 de janeiro de 2020) e outro prático, previsto para ocorrer entre março e junho de 2020, quando o projeto entra em sua reta final.

A ideia é abordar durante esses três momentos, que acumulam um total de 48 horas, temas como o manejo clínico dos transtornos mentais, autocuidado, cuidado colaborativo, luto, depressão e suicídio, entre diversos outros. Carolina Carvalho, consultora da OPAS/OMS envolvida no projeto, disse que a meta desta etapa inicial é capacitar uma média de 100 profissionais de saúde e de apoio psicossocial.

O principal objetivo das oficinas de capacitação é fortalecer e integrar o componente de saúde mental na atenção primária à saúde. Por isso, o conteúdo é baseado na versão 2.0 do Manual de Intervenções mhGAP e na versão para situações de crise humanitária – mhGAP Humanitarian Intervention Guide (mhGAP-HIG), ambas desenvolvidas pela OMS. Tratam-se de ferramentas simples e práticas que ajudam os serviços de saúde a detectarem e tratarem condições de saúde mental, neurológicas e por uso de substâncias psicoativas.

Catarina Dahl, consultora em saúde mental da OPAS/OMS, pontuou que a fase prática da capacitação, que terá início em março de 2020, “contará com a supervisão continuada dos profissionais de saúde da atenção primária”. A ideia é transformá-los em multiplicadores dos conhecimentos apresentados nas oficinas.

Sobre o projeto

O projeto “Fortalecimento de Capacidades Locais em Saúde Mental e Apoio Psicossocial no Contexto do Fluxo Migratório em Boa Vista, Roraima” integra uma proposta interagencial de assistência humanitária, promovida pela OPAS/OMS e outros três organismos das Nações Unidas: Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Agência das Nações Unidas para Migrações (OIM) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

O objetivo da iniciativa promovida pela OPAS/OMS é qualificar e fortalecer as capacidades locais em saúde mental e apoio psicossocial em Boa Vista, por meio de oficinas de formação para profissionais de saúde, educação e assistência social e lideranças comunitárias, assim como realização de grupos de ajuda e suporte mútuos entre pares e atividades de promoção de saúde mental para crianças e adolescentes.