Oficina em Brasília discute aumento de hábitos alimentares não saudáveis no Brasil

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O Centro de Excelência contra a Fome, fruto de uma parceria entre o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas e o governo brasileiro, participou de uma oficina em Brasília sobre mudanças nos padrões alimentares e aumento do consumo de alimentos ultra processados no Brasil.

Segundo pesquisadores convidados, a obesidade e as doenças crônicas não-transmissíveis a ela associadas são o principal desafio de saúde pública no Brasil atualmente.

Segundo OPAS/OMS, é essencial evitar alimentos ultraprocessados, que estão fortemente associados a sobrepeso, obesidade e doenças crônicas não transmissíveis. Foto: EBC

Segundo OPAS/OMS, é essencial evitar alimentos ultraprocessados, que estão fortemente associados a sobrepeso, obesidade e doenças crônicas não transmissíveis. Foto: EBC

O Centro de Excelência contra a Fome, fruto de uma parceria entre o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas e o governo brasileiro, participou no início de maio (3) em Brasília de uma oficina de discussão sobre mudanças nos padrões alimentares e aumento do consumo de alimentos ultra processados no Brasil, especialmente em comunidades de baixa renda.

Representantes de comunidades científicas de agricultura e alimentação, além de tomadores de decisão, reuniram-se no evento para debater a baixa qualidade das dietas em muitas partes do país e do mundo, assim como seu impacto na saúde da população.

Acredita-se que hábitos alimentares não saudáveis sejam os principais fatores para o aumento de sobrepeso e da incidência de doenças não transmissíveis relacionadas à dieta, tais como doença cardíaca, câncer e diabetes, que respondem por mais da metade das mortes no país.

A oficina discutiu a qualidade da dieta, procurando sensibilizar a sociedade para as questões de nutrição, incluindo a pesquisa agropecuária, particularmente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O diretor do Centro de Excelência contra a Fome, Daniel Balaban, moderou a sessão “Políticas e ações em pesquisa agrícola para a boa nutrição”, da qual participaram Michele Lessa, do Ministério da Saúde, e Marília Nutti e Virgínia da Matta, pesquisadoras da Embrapa.

O objetivo foi refletir sobre os significativos sucessos do Brasil na área de nutrição, principalmente relacionados ao combate à desnutrição, mas também abordar os atuais desafios na área, como a obesidade e o sobrepeso.

Balaban destacou a importância de o Brasil compartilhar experiências com outros países nessa área, tanto para dividir os aprendizados acumulados quanto para buscar soluções para os novos desafios que o país vem enfrentando.

Pesquisadores convidados falaram sobre a necessidade de se migrar de uma visão de que sistemas alimentares devem alimentar as pessoas para uma visão de que devem nutrir as pessoas. “A obesidade e as doenças crônicas não-transmissíveis a ela associadas são o principal desafio de saúde pública no Brasil atualmente”, afirmou Michele Lessa.

Marília Nutti explicou a contribuição que a biofortificação de alimentos — técnica de melhoramento genético natural que possibilita elevar o teor de micronutrientes — pode ter para melhorar as dietas na América Latina. No Brasil, a Embrapa pesquisa a biofortificação de abóbora, arroz, feijão, feijão-caupi, mandioca, milho, batata-doce e trigo. Virgínia da Matta afirmou que a qualidade da dieta depende do acesso a alimentos nutritivos.

A Oficina sobre Sistemas Alimentares e Qualidade das Dietas foi uma oportunidade para que o Painel Global e a Embrapa envolvessem tomadores de decisão na discussão sobre o papel da pesquisa agropecuária e das políticas públicas na formação dos resultados de saúde, nutrição e qualidade da dieta no Brasil.

Durante o evento, o Painel Global e a Embrapa lançaram a publicação “Melhoria da nutrição através do aprimoramento dos ambientes alimentares”, que traz recomendações sobre medidas que afetam a dinâmica da oferta de alimentos.

Ao final da oficina, os participantes destacaram os principais pontos discutidos e algumas questões ainda em aberto:

• A importância das escolhas alimentares e da diversidade da dieta para a nutrição
• A importância de vincular a nutrição à sustentabilidade
• Os vínculos entre agricultura e saúde e nutrição
• Como o Brasil pode manter o ritmo de melhoria da segurança alimentar e nutricional em um ambiente em transformação com a dupla carga da desnutrição e obesidade e sobrepeso?
• Qual é o papel do setor privado nesse contexto?

O Painel Global de Agricultura e Sistemas Alimentares de Nutrição trabalha com atores internacionais de diversos setores para apoiar governos de países de baixa e média rendas a desenvolver políticas com base em evidências para tornar dietas de alta qualidade seguras, baratas e acessíveis.


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