Oficial do Fundo de População da ONU ministra aula magna na Universidade Federal de Roraima

A Oficial de Programa para Assuntos Humanitários do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Irina Bacci, ministrou em 9 de setembro uma aula magna sobre migração e direitos LGBTI na Universidade Federal de Roraima (UFRR).

A aula magna fez parte da programação comemorativa dos 30 anos da UFRR – que celebra a data com o tema “Unidos Pela Diversidade”, além de marcar o começo do segundo semestre letivo de 2019.

No encontro, Irina Bacci dialogou com a comunidade universitária acerca dos desafios e oportunidades da agenda de População e Desenvolvimento, ressaltando os 25 anos da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), realizada em 1994.

Estudantes acompanham aula magna ministrada pela Oficial do Fundo de População da ONU, Irina Bacci. Foto: UNFPA Brasil | Yareidy Perdomo.

Estudantes acompanham aula magna ministrada pela Oficial do Fundo de População da ONU, Irina Bacci. Foto: UNFPA Brasil | Yareidy Perdomo.

A Oficial de Programa para Assuntos Humanitários do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Irina Bacci, ministrou em 9 de setembro uma aula magna sobre migração e direitos LGBTI na Universidade Federal de Roraima (UFRR).

A aula magna fez parte da programação comemorativa dos trinta anos da UFRR, que celebra a data com o tema “Unidos Pela Diversidade”, além de marcar o começo do segundo semestre letivo de 2019.

No encontro, Irina Bacci dialogou com a comunidade universitária acerca dos desafios e oportunidades da agenda de População e Desenvolvimento, ressaltando os 25 anos da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), realizada em 1994.

Direitos, escolha e população

A oficial comentou sobre os pontos em comum entre o Programa de Ação do Cairo – pactuado por 179 países na CIPD , as temáticas migratórias e os direitos LGBTI. “A CIPD representou uma mudança de paradigma na forma como a dinâmica populacional passou a ser observada, ao apresentar os direitos e as escolhas como um eixo central do debate”, apontou.

Segundo Bacci, muitas pessoas enfrentam marginalização e estigmas que podem resultar em barreiras significativas no acesso à saúde sexual e reprodutiva e à concretização dos seus direitos e das suas escolhas.

“A estigmatização pode impedir que pessoas procurem os serviços de que precisam e aos quais têm direito e, consequentemente, aumenta o risco de violência sexual, gravidez não intencional, infecções sexualmente transmissíveis e ao HIV. A marginalização também leva à violência e ao deslocamento forçado”, avaliou.

Na UFRR, Irina falou sobre migrações e direitos no contexto da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD). Foto: UNFPA Brasil | Yareidy Perdomo.

Na UFRR, Irina falou sobre migrações e direitos no contexto da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD). Foto: UNFPA Brasil | Yareidy Perdomo.

Alcançando os grupos mais vulneráveis

De acordo com o Relatório da Situação da População Mundial 2019, do UNFPA, as pessoas mais vulneráveis e que não podem ser deixadas para trás incluem a comunidade LGBTI, pessoas com deficiência e adolescentes. A população migrante e refugiada também se insere neste contexto por somar vulnerabilidades.

“As crises aumentam a vulnerabilidade de mulheres, meninas e pessoas LGBTI, e constituem uma ameaça às suas vidas”, pontuou Bacci. Ela afirma que essas são as pessoas que estão expostas a um risco muito maior de exploração, violência e abuso. “Devido à urgência inicial de fornecer comida, abrigo e necessidades básicas, as especificações de proteção podem ser negligenciadas, bem como a disponibilidade de serviços”, comentou.

Avaliando os perigos que mulheres e meninas correm ao serem expostas à marginalização, Irina Bacci disse que “as mulheres e meninas cis ou trans são particularmente vulneráveis ao tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual e trabalho forçado, um ilícito negócio multimilionário”.

Unidos pela Diversidade

Através do slogan “Unidos pela Diversidade”, a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Roraima integrou várias atividades em celebração aos 30 anos da instituição de ensino.

A professora do curso de Jornalismo da UFRR, Lisiane Machado, falou sobre a escolha do tema para o ano de comemorações. “Criamos o slogan ‘Unidos pela Diversidade’ porque a gente sabe que, nesse momento, estamos vivenciando fluxos migratórios diversos. Ter a confluência de culturas é uma razão para comemorar os trinta anos da universidade, além de conectar a população com dois assuntos que são muito importantes: migração e população LGBTI”, comentou.

Machado também apontou a importância da participação da agência da ONU que trata sobre o tema das Pessoas e das Populações no evento da Universidade. “Ter uma visita como essa é importante para ter outro olhar e debater sobre os temas relacionados à população LGBTI”, apontou a professora.

Fabricio Araújo, estudante de Comunicação Social da UFRR, avaliou a aula magna e a importância de se debater populações e direitos. “No nosso estado temos altos números de agressões contra pessoas LGBTI, por isso é tão importante falar sobre esse tema. A aula demonstrou para nós que é possível sim transformar o mundo, fazer dele um lugar melhor por meio da nossa profissão”, concluiu.