Oficial da ONU vê retorno do otimismo em Alepo com manutenção do cessar-fogo

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Um oficial das Nações Unidas informou na quarta-feira (4) que, apesar de os danos em Alepo serem extremos, agentes humanitários verificavam sinais de otimismo e esperança na cidade síria.

Enquanto as agências da ONU ainda não conseguem dar um número exato, Malik estimou que cerca de 1,5 milhão de pessoas estão na cidade, incluindo 400 mil deslocadas internamente. Antes da crise, a população de Alepo era de cerca de 4 milhões. “As necessidades imediatas são enormes”, declarou.

Crianças em abrigo de Jibreen, Alepo, brincam com carrinho. Foto: UNICEF/Rzehak

Crianças em abrigo de Jibreen, Alepo, brincam com carrinho. Foto: UNICEF/Rzehak

Um oficial das Nações Unidas informou na quarta-feira (4) que, apesar de os danos em Alepo serem extremos, agentes humanitários verificavam sinais de otimismo e esperança na cidade síria.

O coordenador residente da ONU para a Síria, Sajjad Malik, disse a jornalistas que “apesar de não estarmos preparados para o que vimos”, as crianças começaram a sair dos edifícios danificados e a brincar com o entulho, e nisso há “algum sentido de otimismo e esperança, porque as armas foram baixadas”.

Enquanto as agências da ONU ainda não conseguem dar um número exato, Malik estimou que cerca de 1,5 milhão de pessoas estão na cidade, incluindo 400 mil deslocadas internamente. Antes da crise, a população de Alepo era de cerca de 4 milhões. “As necessidades imediatas são enormes”, declarou.

De acordo com o oficial, 106 funcionários das Nações Unidas estão entrando e saindo do leste da cidade diariamente e buscando reforços da capital, Damasco, o mais rápido possível.

Enfatizando a amplitude de algumas das atividades humanitárias em terra, ele disse que até o momento cerca de 1,1 milhão de pessoas têm acesso a água potável, sete clínicas estão fornecendo atendimento médico, 10 mil crianças foram vacinadas contra poliomielite, mais de 1 mil crianças feridas foram levadas a hospitais, e 20 mil pessoas estão recebendo pratos quentes diariamente.

O entulho ainda precisa ser removido das ruas. Até agora, 2,2 mil famílias retornaram à cidade. Mesmo assim, muitas crianças em Alepo ficaram de quatro a cinco anos sem educação e estão em séria necessidade de apoio psicológico — serviços que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) começou a oferecer ao menos em uma região da cidade.

“Deem uma chance à paz, ao menos uma vez. Não deixem que eles tenham suas esperanças destruídas novamente”, pediu Malik. “Se há questões não resolvidas, que sejam resolvidas de maneira diferente para que a paz continue aqui”.

Ele enfatizou que os últimos quatro ou cinco dias sem violência já fizeram enorme diferença, o que ficou evidenciado pelo otimismo dos agentes humanitários que estão na cidade há meses e das crianças que começaram a brincar nas ruas.

Questionado sobre a situação na cidade, Malik confirmou que há soldados sírios presentes e que apesar da permanência dos postos de controle, as agências da ONU estão tendo acesso a todos os distritos de Alepo, com exceção de um que ainda não está aberto a civis. Agentes humanitários estavam inicialmente acompanhados por funcionários do gabinete do governo, mas estão agora operando livremente.

Malik informou que as agências da ONU continuam preocupadas com a frágil infraestrutura e com as famílias que ainda não conseguiram se reunir, mas que não viram nem receberam informações de repressão contra pessoas que retornam às suas casas.

Ele também lembrou que o plano de janeiro do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) foi aprovado, mas que os detalhes precisam ser definidos.

O oficial enfatizou ainda que as agências precisarão de reforços e recursos para atender não apenas a reconstrução de Alepo no longo prazo, como as necessidades de médio prazo. “Há otimismo, há esperança. É necessário dar uma chance à paz”, reiterou.


Comente

comentários