Ocupação israelense prejudica economia palestina em Jerusalém Oriental, alerta ONU

Relatório afirma que barreiras impostas por Israel prejudicam o desenvolvimento, também dificultado pelo status da região como território ocupado e posteriormente anexado.

Assentamento de Har Gilo, perto de Jerusalém. Foto: IRIN/ Erica Silverman

Assentamento de Har Gilo, perto de Jerusalém. Foto: IRIN/ Erica Silverman

A economia palestina em Jerusalém Oriental tem sido progressivamente isolada e restrita e agora detém menos da metade da influência econômica que tinha em 1993, diz um novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). O documento, intitulado, A Economia Palestina em Jerusalém Oriental: Anexação, Isolamento e Desintegração Duradouros, foi publicado nesta quarta-feira (8).

Um ambiente econômico incapacitado, taxas altas e crescentes de pobreza, uma indústria instável e escassez de habitação são alguns dos fatores que criam dificuldades para os habitantes palestinos da cidade e retêm o potencial da sua economia.

De acordo com o documento, a economia da região é limitada por impedimentos israelenses que afetam o território palestino ocupado em geral. Além disso, muitos obstáculos são específicos em razão do status de Jerusalém Oriental como um território ocupado e posteriormente anexado unilateralmente por Israel.

Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) de Jerusalém Oriental — cerca 600 milhões de dólares em 2010 — tem aumentado, ainda que marginalmente, desde 2001, seu tamanho relativo caiu porque o crescimento em Jerusalém Oriental tem ficado abaixo do restante da Palestina.

Estima-se que a barreira de separação israelense impôs mais de 1 bilhão de dólares em prejuízos diretos para a economia de Jerusalém Oriental desde que a sua construção começou em 2003, diz o relatório.

Jerusalém Oriental é o maior centro de população palestina, com mais de 280 mil habitantes que vivem na cidade e outros 80 mil nos subúrbios.

A ocupação israelense começou em 1967, com a redefinição dos limites municipais e a anexação de Jerusalém Oriental. De acordo com o relatório, uma série de políticas israelenses impediram o crescimento natural da população palestina. O status dos palestinos em Jerusalém como meros “residentes permanentes”, sob a lei israelense, os restringe de serviços como habitação, emprego, educação e saúde.

O relatório pede uma série de medidas que permitam a retomada do crescimento, incluindo investimentos dos setores públicos e privados palestinos, assim como dos doadores, para enfrentar os principais desafios socioeconômicos em Jerusalém Oriental, como a melhoria da proteção social e desenvolvimento e estímulo do progresso econômico.

O documento também pede a criação de fontes alternativas e mecanismos sustentáveis de financiamento do investimento, habitação e de outras atividades produtivas.