Ocupação israelense é principal obstáculo para ajuda humanitária a palestinos, diz relatório da ONU

De acordo com o documento do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), o total de mortos e feridos palestinos na Cisjordânia por forças de segurança de Israel foi o maior desde que os dados passaram sistematizados, em 2005. Em 2015, também ocorreram muitos ataques a israelenses, e as respostas das autoridades do país ocorreram através do uso excessivo de força.

O bloqueio tem um impacto devastador sobre as crianças de Gaza, afetando sua saúde física e mental, assim como seus ambientes de aprendizagem. Foto: Khalil Adwan/UNRWA (2016)

O bloqueio tem um impacto devastador sobre as crianças de Gaza, afetando sua saúde física e mental, assim como seus ambientes de aprendizagem. Foto: Khalil Adwan/UNRWA (2016)

As necessidades humanitárias nos territórios ocupados palestinos continuam sendo intensificadas por práticas relacionadas à ocupação prolongada de Israel e pelo conflito contínuo, advertiu o Relatório Humanitário Anual de 2015 – denominado “Vidas Fragmentadas” – lançado neste mês de junho (13) pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

“Este mês, os palestinos entram no seu 50º ano sob a ocupação israelense”, disse David Carden, chefe do OCHA nos territórios ocupados palestinos. “O relatório mostra claramente o impacto devastador dessa situação em curso, destacando que 4,8 milhões de palestinos estão cada vez mais vulneráveis devido a violações do direito internacional humanitário e dos direitos humanos”, acrescentou.

De acordo com o documento, o total de mortos e feridos palestinos na Cisjordânia por forças de segurança de Israel foi o maior desde que a OCHA começou a relatar esses dados, em 2005. Em 2015, também ocorreram muitos ataques a israelenses, e as respostas das autoridades do país ocorreram através do uso excessivo de força.

Ainda segundo o relatório, o número de árvores de palestinos danificadas, roubadas ou desenraizadas em circunstâncias ligadas à ocupação foi o maior desde 2006 (mais de 11,2 mil).

Além disso, até o final de 2015, mais de 6 mil palestinos estavam em prisões israelenses – maior registro desde 2010 –, e mais crianças estavam detidas (422) do que o último recorde, em 2008.

O deslocamento de pessoas também permaneceu uma preocupação importante. Embora nenhum novo deslocamento tenha ocorrido na Faixa de Gaza, pelo menos 70 mil palestinos permanecem deslocados e vivem em condições difíceis, após a destruição de suas casas durante a intensificação das hostilidades em 2014.

Na Cisjordânia, o deslocamento de pessoas devido à demolição de residências diminuiu em 2015, mas, em seguida, subiu dramaticamente nos primeiros quatro meses de 2016, com mais estruturas demolidas e mais palestinos deslocados do que os números registrados no ano passado – 598 contra 548 estruturas demolidas; e 858 contra 787 pessoas deslocadas, respectivamente.

O relatório também indica que o aumento, em 2015, do número de pessoas e bens autorizados a sair da Faixa de Gaza por Israel continuou em 2016, todavia o longo bloqueio de nove anos continua minando os meios de vida e impedindo a realização de uma ampla variedade de direitos humanos.

Paralelamente a essas tendências, segundo o relatório, está o aumentando das restrições às intervenções humanitárias. “Durante todo o território ocupado, agentes humanitários estão enfrentando cada vez mais dificuldade em dar assistência aos palestinos necessitados”, disse Carden.

Segundo Carden, a assistência humanitária na Área C, por exemplo, é cada vez mais obstruída ou destruída pelas autoridades israelenses, e o acesso a Gaza continua sendo dificultado por requisitos de licenciamento.

“Precisamos de uma mudança fundamental na aproximação com o território ocupado da Palestina, e muito mais respeito pelo direito internacional, assim como esforços concretos para responsabilizar quem o viola”, concluiu David Carden. Acesse o relatório, em inglês, clicando aqui.