Ocupação israelense é principal causa das necessidades humanitárias de palestinos, diz ONU

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Cerca de 300 instalações que prestavam assistência humanitária na Cisjordânia foram demolidas ou confiscadas por autoridades de Israel em 2016, levando a prejuízos estimados em 730 mil dólares. O levantamento é do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), que publicou em maio um novo relatório sobre as políticas israelenses de ocupação.

Menina palestina no bairro de Shejaiya, em Gaza. Foto: UNICEF

Menina palestina no bairro de Shejaiya, em Gaza. Foto: UNICEF

Cerca de 300 instalações que prestavam assistência humanitária na Cisjordânia foram demolidas ou confiscadas por autoridades de Israel em 2016, levando a prejuízos estimados em 730 mil dólares. O levantamento é do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), que publicou em maio um novo relatório sobre as políticas israelenses de ocupação.

Segundo o relatório, políticas e práticas de ocupação são a principal causa por trás das necessidades humanitárias identificadas pela agência da ONU no Território Palestino Ocupado. Entre as medidas criticas, estão as restrições à movimentação dos palestinos. Ao longo do ano passado, o OCHA registrou 572 obstáculos à circulação na Cisjordânia e outras 110 restrições na cidade de Hebron, controlada por Israel.

O organismo internacional lembra que as estruturas de assistência que foram demolidas incluem propriedades de organizações que atuavam na Área C da Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Algumas das instalações eram de instituições que forneciam abrigos de emergência ou desenvolviam projetos de melhorias dos serviços básicos usados por palestinos.

Os impedimentos impostos por Israel foram descritos no relatório do OCHA como uma política de planejamento e zoneamento “discriminatória”.

Sobre a situação de Gaza, o Escritório das Nações Unidas apontou uma queda na saída de palestinos da área sob bloqueio para Israel e para o restante do Território Palestino Ocupado. Em 2016, o número de palestinos que chegaram a solo israelense pela passagem de Erez caiu 15% na comparação com 2015.

O levantamento explica que a entrada e saída de palestinos vivendo em Gaza é proibida por Israel, que permite apenas a determinados indivíduos — negociantes, pacientes médicos e funcionários de organismos internacionais — deixar ou chegar ao local. Em 2016, a taxa de aprovação das autorizações solicitadas por esses grupos de pessoas foi calculada em 64% — contra 77% em 2015.

Em média, no ano passado, 517 palestinos por dia deixaram Gaza via Israel — índice equivalente a menos de 2% do trânsito diário de 26 mil palestinos que saíam do território em 2000, antes da Segunda Intifada.

O OCHA lembra ainda que a passagem de Rafah — única conexão entre Gaza e o Egito — ficou aberta por apenas 44 dias em 2016. No ano passado, apenas 1.713 pacientes receberam permissão para cruzar a fronteira e receber atendimento médico em solo egípcio. Antes de outubro de 2014, quando a passagem foi fechada por autoridades egípcias, mais de 4 mil palestinos viajam ao país vizinho para buscar cuidados de saúde.

O chefe do OCHA nos Territórios Ocupados, David Carden, atribuiu as dificuldades enfrentadas pelos palestinos a uma “pervasiva” falta de proteção e de respeito ao direito internacional. Acesse o relatório do OCHA clicando aqui.

Mercado de trabalho fragilizado

Em relatório sobre o mercado de trabalho no Território Palestino Ocupado, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou que, em Gaza, a desemprego afeta mais 40% da população de 2 milhões de pessoas. Quando considerados os jovens que têm um diploma escolar, o índice sobe para 60%.

O levantamento da agência da ONU afirma que a circulação da população para o exercício de atividades produtivas se tornou quase impossível, sobretudo por da superlotação de postos de verificação. “A situação passou muito além do ponto que o senso comum (já) consideraria insustentável”, afirma o chefe da OIT na publicação, Guy Rider.

Acesse o documento clicando aqui.


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