Ocorrência do HIV na Nigéria é menor do que se pensava, revela novo relatório

Foto: UNAIDS

Números divulgados nesta semana (13) pelo governo da Nigéria revelam que o país tem metade dos casos de HIV do que se pensava anteriormente. Autoridades estimam agora que a prevalência do vírus é de 1,4% entre nigerianos de 15 a 49 anos — antes, a estimativa era de 2,8%. A Agência Nacional para Controle da AIDS e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) calculam que haja 1,9 milhão de pessoas vivendo com HIV no país africano.

“Pela primeira vez, o fim da AIDS como uma ameaça à saúde pública até 2030 está realmente no horizonte de nosso país”, disse na quarta-feira o presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, em evento na capital Abuja. Durante a cerimônia, o chefe de Estado lançou uma nova estratégia para o período 2019-2021, que vai orientar os esforços da nação na resposta à epidemia.

Os dados do Indicador Nacional e Pesquisa de Impacto sobre HIV/AIDS na Nigéria (NAIIS) baseiam-se numa metodologia revisada e melhorada. A pesquisa fornece uma compreensão mais clara da epidemia de HIV na Nigéria e lança luz sobre o progresso e os desafios remanescentes.

“Eu cumprimento o Governo da Nigéria e seus parceiros pela realização desta pesquisa ambiciosa, que nos fornece uma compreensão muito melhor da epidemia de HIV do país”, elogiou o chefe do UNAIDS, Michel Sidibé, também presente no evento em Abuja.

“Embora seja uma notícia fantástica, a de que há menos pessoas vivendo com HIV na Nigéria do que se pensava anteriormente, não devemos baixar a guarda. Vamos usar os resultados desta pesquisa para orientar melhor a nossa prestação de serviços de prevenção, tratamento e assistência ao HIV para as pessoas com maior necessidade e garantir que a Nigéria esteja no caminho certo para acabar com a epidemia de AIDS até 2030.”

As novas estatísticas apontam que as mulheres entre 15 e 49 anos têm duas vezes mais chances de viver com HIV do que homens (1,9% contra 0,9%). As diferenças de gênero na prevalência são ainda maiores entre os jovens adultos, pois as mulheres entre 20 e 24 anos têm três vezes mais chances de estar vivendo com HIV do que os homens da mesma mesma faixa etária.

Entre meninos e meninas de até 14 anos, a prevalência do HIV é de 0,2%. Segundo o UNAIDS, nos últimos anos, foram feitos esforços significativos para impedir novas infecções por HIV entre crianças.

Em nível nacional, o governo estima em 42,3% o índice de supressão da carga viral entre pessoas soropositivas de 15 a 49 anos. Entre as mulheres, o número sobe para 45,3%. Entre os homens, cai para 34,5%. Quando as pessoas que vivem com HIV alcançam a carga viral suprimida, elas permanecem saudáveis ​​e a transmissão do vírus é evitada.

O UNAIDS aponta que compreender melhor a epidemia de HIV no país permitirá investimentos mais eficientes e um planejamento mais eficaz dos serviços de prevenção, atendimento e tratamento, incluindo com um foco em grupos-chave, como profissionais do sexo. Com as estatísticas, será possível adotar uma abordagem de localização da população, para fornecer serviços às pessoas e áreas onde eles são mais necessários.

Os novos dados diferenciam a prevalência do HIV por estado, indicando uma epidemia que tem um impacto maior em certas regiões do país. A zona Sul-Sul tem a maior prevalência de HIV, de 3,1% entre pessoas de 15 a 49 anos. A incidência do vírus também é alta na área Norte-Central (2%) e Sudeste (1,9%). A taxa é menor no Sudoeste (1,1%), Nordeste (1,1%) e Noroeste (0,6%).

“O NAIIS também mostrou que somos capazes de fornecer tratamento antirretroviral de forma efetiva”, explicou o ministro da Saúde nigeriano, Isaac Adewole.

“Todas as pessoas vivendo com HIV precisam de tratamento para alcançar a supressão viral, especialmente mulheres grávidas. Devemos garantir que essas mulheres tenham acesso aos serviços de pré-natal e sejam testadas durante toda a gravidez. Sabemos que podemos apoiar mães vivendo com HIV, garantindo assim que a próxima geração esteja livre do vírus.”

A Nigéria tem demonstrado progresso constante na ampliação do acesso ao tratamento para pessoas que vivem com HIV, com a adoção em 2016 de uma política de testagem e tratamento. Essa medida acelerou ainda mais o encaminhamento de indivíduos soropositivos para a terapia. Entre 2010 e 2017, o número de pessoas com HIV e com acesso à terapia antirretroviral no país quase triplicou — de 360 ​​mil pessoas em 2010 para mais de 1 milhão em 2018.

O número de locais que oferecem tratamento mais do que triplicou e a quantidade de estabelecimentos que oferecem serviços para prevenir a transmissão do HIV de mãe para filho aumentou oito vezes. O conjunto de instalações para aconselhamento e testagem do HIV também aumentou, quatro vezes. Um total de 11,3 milhões de adultos foram aconselhados e testados para o HIV em 2016, quatro vezes mais do que em 2012.

No entanto, as estimativas divulgadas nesta semana indicam que mais da metade das pessoas que vivem com HIV ainda não têm a carga viral suprimida.

O NAIIS foi liderado pelo Governo da Nigéria por meio do Ministério da Saúde e da Agência Nacional para Controle da AIDS. O UNAIDS, o Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da AIDS e o Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária deram apoio à pesquisa, supervisionada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e implementada pela Universidade de Maryland, com um escopo que incluía todos os 36 estados e o Território da Capital Federal da Nigéria.

A pesquisa alcançou cerca de 220 mil pessoas em aproximadamente 100 mil residências. O trabalho de campo foi realizado entre julho e dezembro de 2018.