‘O tempo está acabando’ para lidar com a fome no Iêmen, alerta agência de ajuda alimentar da ONU

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À medida que conflitos continuam a aumentar no Iêmen, levando a dificuldades econômicas generalizadas e uma inflação desenfreada, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) chamou a atenção para o aumento dos preços dos alimentos que afeta milhões de iemenitas.

“Minha principal preocupação são as crianças, mulheres e homens inocentes do Iêmen. Peço a todas as partes que acabem com os combates e apoiem os esforços para construir a paz”, disse David Beasley, diretor-executivo do PMA.

David Beasley, chefe do Programa Mundial de Alimentos em visita a Saná, Iêmen, onde a pior crise de fome do mundo ocorre faz mais de um ano. Foto: PMA/Marco Frattini

David Beasley, chefe do Programa Mundial de Alimentos em visita a Saná, Iêmen, onde a pior crise de fome do mundo ocorre faz mais de um ano. Foto: PMA/Marco Frattini

À medida que conflitos continuam a aumentar no Iêmen, levando a dificuldades econômicas generalizadas e uma inflação desenfreada, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) chamou a atenção para o aumento dos preços dos alimentos que afeta milhões de iemenitas.

“Minha principal preocupação são as crianças, mulheres e homens inocentes do Iêmen. Peço a todas as partes que acabem com os combates e apoiem os esforços para construir a paz”, disse David Beasley, diretor-executivo do PMA, em um comunicado.

“Apenas o fim imediato das hostilidades dará à comunidade humanitária o devido acesso que precisa para fornecer comida e a assistência vital necessária para salvar vidas dos habitantes do Iêmen”, acrescentou.

O Iêmen está enfrentando uma das mais profundas crises humanitárias do mundo, com mais de 22 milhões de pessoas em necessidade de ajuda humanitária – incluindo comida, água potável, suporte nutricional e assistência médica básica, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

A economia do país entrou em profunda queda desde que o conflito entre as forças do governo e seus aliados para reprimir os rebeldes do grupo rebelde Houthi se intensificou em 2015.

Houve uma desvalorização de 180% do Rial iemenita em três anos. O custo dos alimentos básicos aumentou 35% nos últimos 12 meses, tornando muitas famílias incapazes de comprar comida. A situação já é a maior crise de fome do mundo, com 18 milhões de pessoas – duas em cada três iemenitas – sem garantias quanto a sua alimentação.

A assistência alimentar internacional, da qual a maior parte é fornecida pelo PMA, com 6 a 7 milhões de pessoas atendidas todos os meses no país, tem sido crucial para evitar que o Iêmen entre em fome total, mas, segundo Beasley, “diante dos crescentes obstáculos e riscos, estamos agora atingindo o limite”.

Embora a agência pretenda ampliar sua capacidade para atingir até 8 milhões de pessoas por mês, o chefe do PMA adverte que “se o conflito continuar a se intensificar e as condições econômicas se deteriorarem ainda mais, o número de iemenitas em situação de insegurança alimentar pode aumentar para 12 milhões”, disse Beasley.

Ele acrescentou que, “com acesso limitado, insegurança crescente e danos à infraestrutura”, a capacidade da organização de prestar assistência a esse número de pessoas seria “extremamente desafiadora”.

Observando que os ataques a agentes humanitários e infraestrutura “não deveriam ter lugar no Iêmen ou em qualquer parte do mundo”, Beasley denunciou “uma enxurrada de ataques, inconscientes ou não” aos trabalhadores, caminhões, armazéns e silos do PMA, responsáveis por armazenar grãos, que são “neutros e devem estar fora dos limites para qualquer parte envolvida neste conflito”.

Beasley também destacou o modo como, “com múltiplas emergências humanitárias em todo o mundo”, o peso financeiro da crise do Iêmen está se tornando “um grande desafio para a comunidade internacional”.

O diretor também advertiu que “o tempo está se esgotando para as agências de ajuda no Iêmen evitarem que o país sofra com uma fome devastadora”. Beasley pediu novos pontos de entrada para importações humanitárias e comerciais de alimentos, além de um fluxo livre dos mesmos dentro o país.

“Peço a todas as partes envolvidas no conflito que cumpram suas obrigações de proteger civis e infraestrutura civil e tomem medidas ativas para respeitar o direito internacional humanitário, pondo fim ao conflito e trazendo a paz que o Iêmen precisa tão desesperadamente”.


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