Número de vítimas nos últimos dois meses no leste da Ucrânia é o mais alto desde agosto de 2015

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) registou 69 vítimas civis em junho, incluindo 12 mortes e 57 feridos; e 73 em julho, incluindo 8 óbitos e 65 pessoas feridas. A média mensal de 71 vítimas do período analisado é mais do que o dobro da média registrada por mês de setembro de 2015 até maio de 2016, que foi de 34.

A situação no leste da Ucrânia continua volátil, com um grave impacto sobre os direitos humanos. Foto: ACNUR

A situação no leste da Ucrânia continua volátil, com um grave impacto sobre os direitos humanos. Foto: ACNUR

Nos últimos dois meses, 142 civis foram mortos ou ficaram feridos devido ao conflito no leste da Ucrânia – o maior número de vítimas registrado desde agosto de 2015 –, advertiu o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) na quarta-feira (3).

Desse contingente, foram registradas 69 vítimas civis em junho, incluindo 12 mortes e 57 feridos; e 73 em julho, incluindo 8 óbitos e 65 pessoas feridas. A média mensal de 71 vítimas do período analisado é mais do que o dobro da média registrada por mês de setembro de 2015 até maio de 2016, que foi de 34.

De acordo com o ACNUDH, mais da metade dos casos registrados entre o dia primeiro de junho e 31 de julho de 2016 foi atribuída a bombardeios, deixando 72 pessoas feridas e seis mortos.

Minas, explosivos remanescentes de guerra, armadilhas e explosivos improvisados foram apontados como os responsáveis pelas demais ocorrências.

Com os novos dados, o total de vítimas relacionado ao conflito registrado na região – desde meados de abril de 2014 a julho de 2016 – subiu para 31,6 mil, sendo 9,5 mil mortes e 22,1 mil feridos, incluindo as forças ucranianas, civis e membros dos grupos armados.

Para o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, a escalada das tensões no leste da Ucrânia e o aumento do número de vítimas é alarmante.

“As baixas documentadas nas últimas semanas sugerem que nem as forças ucranianas nem os grupos armados estão tomando as precauções necessárias para proteger os civis”, disse Zeid, pedindo que todas as partes respeitem as disposições do cessar-fogo, removam combatentes e armamentos de áreas de civis e implementem as disposições do acordo de Minsk.

Zeid ainda lembrou que a Ucrânia se comprometeu a ratificar o Estatuto de Roma, e ainda não o fez.

“A ratificação do Estatuto, que foca em responsabilidade criminal individual, servirá de estímulo para que todas as partes em conflito respeitem a lei e assegurem a proteção dos civis”, acrescentou.

Estima-se que 25 mil a 30 mil pessoas atravessem diariamente a linha de contato – que divide separatistas e forças do governo –, usando cinco cruzamentos que são cercados por campos minados inadequadamente marcados.

Nas últimas semanas, a situação no leste da Ucrânia tornou-se ainda mais perigosa, com trocas de tiros entre as forças ucranianas e grupos armados, especialmente ao redor da passarela na Stanytsia Luhanska, o único ponto de passagem na região Luhansk.