Número de vítimas do conflito no Afeganistão bate recorde em 2016, diz ONU

De acordo com novo documento da missão da ONU no país, 3,5 mil civis foram mortos no ano passado, incluindo 923 crianças, e quase 8 mil pessoas ficaram feridas, entre elas 2.589 menores, totalizando pouco mais de 11 mil vítimas. O número representa um aumento de 24% desde a alta anterior, em 2015.

Enviado especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão, Tadamichi Yamamoto, e a diretora da unidade de direitos humanos da UNAMA, Danielle Bell, apresentando o relatório sobre as vítimas civis. Foto: UNAMA/Fardin Waezi

Enviado especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão, Tadamichi Yamamoto, e a diretora da unidade de direitos humanos da UNAMA, Danielle Bell, apresentando o relatório sobre as vítimas civis. Foto: UNAMA/Fardin Waezi

Ataques no Afeganistão promovidos pelo Talibã, pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) e pelas forças pró-governo mataram ou feriram mais civis e crianças em 2016 do que em qualquer outro ano analisado pelas Nações Unidas.

Foi o que descobriu o novo relatório da Missão de Assistência da ONU no país divulgado na segunda-feira (6). De acordo com o documento, 3.498 civis foram mortos no ano passado, incluindo 923 crianças, e 7.920 pessoas ficaram feridas, entre elas 2.589 menores. O número total de vítimas (11.418) representa um aumento de 24% desde a alta anterior em 2015.

Para o enviado especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão, Tadamichi Yamamoto, a morte e a mutilação de milhares civis no Afeganistão “é completamente angustiante e profundamente evitável”.

“Todas as partes no conflito devem tomar medidas concretas e imediatas para proteger os homens afegãos, mulheres e crianças cujas vidas estão sendo aniquiladas”, frisou Yamamoto, que é também o chefe da missão.

O relatório diz que as forças antigoverno, principalmente o grupo Talibã, são responsáveis por quase dois terços das vítimas, enquanto as forças pró-governo são responsáveis pelo restante.

Além disso, o número de vítimas dos ataques aéreos levados a cabo por forças afegãs e internacionais quase duplicou desde 2015.

Segundo o chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, os resultados mostram como os setores mais vulneráveis da sociedade pagam o preço mais alto.

Zeid afirmou que “as crianças estão sendo mortas e mutiladas enquanto brincam com explosivos que não foram detonados mas foram deixados nas ruas pelos lados em conflito”.