Número de refugiados sírios pressiona serviços médicos dos países da região, alerta ONU

Relatório da agência da ONU para refugiados avalia os três primeiros meses de 2013 no Iraque, Jordânia e Líbano. Preocupação maior é com doenças crônicas e outras pessoas em condições de saúde mais graves.

Um jovem refugiado sírio jovem em um centro de recepção depois de cruzar a fronteira para a Jordânia com sua família. Foto: ACNUR/Jared J. Kohler (março de 2013)

Um jovem refugiado sírio jovem em um centro de recepção depois de cruzar a fronteira para a Jordânia com sua família. Foto: ACNUR/Jared J. Kohler (março de 2013)

A crise na Síria está pressionando os serviços de saúde nos países vizinhos, adverte um relatório divulgado na última semana pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Os refugiados enfrentam crescentes dificuldades no acesso a tratamentos de qualidade, particularmente aqueles com doenças crônicas e outras condições de saúde mais graves.

O relatório avalia os três primeiros meses de 2013 no Iraque, Jordânia e Líbano, mostrando as necessidades de tratamento para situações comuns, assim como as relacionadas ao conflito, disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards.

“Entre os problemas estão lesões, doenças psicológicas e doenças transmissíveis — como doenças respiratórias, diarreia, problemas de pele e olhos — muitas vezes encontradas em outros locais de refúgio. Além de doenças crônicas que exigem tratamento mais custoso, tais como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, diagnosticados e tratados em países de renda média”, explicou. “São questões são preocupantes, especialmente para refugiados em áreas urbanas”, disse o porta-voz.

Na Jordânia e no Iraque, os custos dos cuidados de saúde para os refugiados são cobertos pelos governos, pelo ACNUR e muitas outras organizações, mas a prestação de serviços de referência, mais caros — como diálise renal, cirurgia ortopédica e tratamento de câncer — está se tornando difícil.

No Líbano, que tem um sistema de saúde majoritariamente privatizado e com partilha de custos, a escassez de recursos significa que o ACNUR e agências parceiras precisam reduzir o apoio tanto para os cuidados básicos de saúde quanto para tratamentos mais custosos.

Até a última semana, 1.401.435 sírios tinham sido registrados como refugiados na região ou aguardavam o registro. O total corresponde a 30% além do que o previsto no âmbito do Plano de Resposta Regional aos Refugiados Sírios — que recebeu 55% de financiamento até agora.

Até o final de maio um plano atualizado deverá ser apresentado aos países doadores. O ACNUR continuará ampliando sua capacidade de trabalho à medida que novos recursos sejam doados.

O relatório pode ser visto em http://data.unhcr.org/syrianrefugees/regional.php