Número de mulheres estudando na área das TIC cai para 20%, revela agência da ONU

Com um futuro déficit previsto de 2 milhões de profissionais no mercado, as mulheres hoje representam apenas 20% das estudantes nesta área; um número inferior ao dos anos 80.

Laboratório de informática do Colégio Estadual Severino Vieira Foto: AGECOM/Alberto Coutinho

Laboratório de informática do Colégio Estadual Severino Vieira Foto: AGECOM/Alberto Coutinho

A cada ano, o número de mulheres que escolhem carreiras em tecnologias da informação e comunicação (TIC) diminui. As estudantes hoje contabilizam menos de 20% do total de alunos matriculados nestes cursos. Uma cifra muito inferior àquelas 40% que frequentavam a universidade em 1980, quando os primeiros cursos de ciência da computação surgiram, segundo dados de países pertencentes à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OECD).

Com o objetivo de promover mais adesão das mulheres a esta especialidade, a União Internacional de Telecomunicações (UIT) comemora, nesta quinta-feira (23), o Dia das Meninas nas TIC. O evento anual planeja chamar a atenção de meninas e jovens estudantes para carreiras e estudos em ciência, tecnologia, engenharia e matemática. A comemoração deste ano contará com 3.500 eventos organizados em 140 países, alcançando mais de 111 mil meninas.

Além de conter o declínio global de mulheres nesta área de trabalho, a iniciativa visa contribuir para diminuir o déficit de pelo menos 2 milhões de oportunidades em TIC previstas para ficarem vagas em decorrência da falta de mão de obra qualificada. A brecha de gênero nas universidades também se reflete no campo profissional, onde, na Europa, apenas 9% das mulheres desenvolvem aplicativos e 19% ocupam posições de gerência em TIC, comparado a outras 45% em outros setores de serviço.

“As TIC são um campo emocionante, que cresce rapidamente, oferecendo oportunidades de trabalho interessantes, importantes e bem pagas”, disse o secretário-geral do UIT, Houlin Zhao. “Uma carreira em TIC permite as mulheres usar sua criatividade, trabalhar em ambientes internacionais e participar na construção do futuro. Com 95% dos trabalhos agora contando com um componente digital, habilidades nesta área não são apenas uma vantagem, mas algo essencial.”