Número de crianças refugiadas que chegam desacompanhadas à Itália duplica em 2016

Cerca de 25,8 mil crianças e adolescentes desacompanhados ou separados de suas famílias chegaram à Itália por via marítima em 2016, mais do que o dobro dos 12,4 mil do ano anterior. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), são necessárias medidas especiais urgentes para proteger essas crianças do tráfico de pessoas, da exploração e de abusos.

Pessoas que tentam atravessar do norte da África para a Europa em um barco de pesca superlotado são resgatadas no mar Mediterrâneo pela Marinha italiana. Foto: Marinha Italiana/Massimo Sestini

Pessoas que tentam atravessar do norte da África para a Europa em um barco de pesca superlotado são resgatadas no mar Mediterrâneo pela Marinha italiana. Foto: Marinha Italiana/Massimo Sestini

Cerca de 25,8 mil crianças e adolescentes desacompanhados ou separados de suas famílias chegaram à Itália por via marítima em 2016, mais do que o dobro dos 12,4 mil do ano anterior. Esses meninos e meninas respondem por 91% de todas as 28,2 mil crianças e adolescentes que chegaram à costa da Itália no ano passado como refugiados ou migrantes.

“Esses números indicam uma tendência alarmante de um número crescente de crianças e adolescentes altamente vulneráveis arriscando sua vida para chegar à Europa”, disse Lucio Melandri, gerente sênior de emergência do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“Os sistemas atuais em prática estão falhando na proteção dessas crianças e desses adolescentes que se encontram sozinhos em um ambiente totalmente desconhecido. Pelo fato de eles estarem em movimento, uma resposta europeia coordenada é necessária para mantê-los seguros”, completou.

A maioria das crianças e adolescentes desacompanhados ou separados de suas famílias vem de quatro países: Eritreia, Egito, Gâmbia e Nigéria. Embora os meninos com idades entre 15 a 17 anos sejam a maior parte, crianças mais jovens e meninas também estão entre os recém-chegados.

As meninas enfrentam risco de exploração e abuso sexual, incluindo a exploração sexual comercial por gangues criminosas. Diversas meninas entrevistadas pela equipe do UNICEF em Palermo, na Itália, relataram terem sido forçadas a se prostituir na Líbia como forma de pagar o custo da viagem de barco pelo Mediterrâneo. Muitos meninos que chegam à Líbia também relataram terem sido forçados a trabalhar.

A rota do Mediterrâneo Central do Norte da África para a Itália é ímpar pela proporção alta de crianças e adolescentes desacompanhados e separados de suas famílias entre os refugiados e migrantes. Em comparação, apenas 17% das meninas e dos meninos que chegaram à Grécia por via marítima em 2016 não estavam acompanhados por familiares ou guardiões adultos.

“A presença de tantas crianças e tantos adolescentes desacompanhados ou separados de suas famílias ao longo da rota do Mediterrâneo Central é inédita”, disse Melandri. “E é obviamente claro que temos um problema sério e crescente em nossas mãos. Para além de abordar os fatores que estão forçando meninas e meninos a viajar sozinhos de suas casas, um sistema de proteção e monitoramento abrangente precisa ser desenvolvido para protegê-los”.

O UNICEF tem defendido ações específicas destinadas a proteger e ajudar as crianças e os adolescentes deslocados, refugiados e migrantes: proteger particularmente meninas e meninos desacompanhados da exploração e da violência; pôr fim à detenção de crianças e adolescentes que buscam o status de refugiados ou migrantes por meio da introdução de uma série de práticas alternativas.

A agência da ONU também trabalha para manter as famílias unidas como a melhor maneira de proteger as crianças e os adolescentes e dar-lhes um status legal e para manter todas as crianças e todos os adolescentes refugiados e migrantes na escola, tendo acesso à saúde e outros serviços de qualidade.

O UNICEF também tem exigido medidas sobre as causas subjacentes dos movimentos em larga escala de refugiados e migrantes, assim como medidas de combate à xenofobia, à discriminação e à marginalização.


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