Novo software para proteger tubarões ameaçados por caça ilegal é disponibilizado por agência da ONU

Estimativas mostram que 73 milhões de tubarões são mortos anualmente.

O tubarão-limão em Bora-Bora, na Polinésia Francesa. Foto: Tanguy Thomas

O tubarão-limão em Bora-Bora, na Polinésia Francesa. Foto: Tanguy Thomas

A Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou nesta quinta-feira (20) o lançamento de uma nova tecnologia para facilitar a identificação de tubarões e, ao mesmo tempo, ajudar na proteção de espécies ameaçadas e combater o comércio ilegal de suas barbatanas.

O software, chamado iSharkFin, permite que qualquer pessoa, sem treinamento em taxinomia, identifique as diferentes espécies de tubarão ao subir no sistema fotografias. O usuário deve escolher vários pontos em volta da barbatana e identifica outras características para que o algorítimo do programa possa comprar a informação com sua base de dados e identificar a espécie.

O programa, que tem sendo desenvolvido desde 2013, quando cinco espécies de tubarão foram adicionadas à Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestre, pode identificar até 35 espécies pelas barbatanas dorsais e sete pelas barbatanas peitorais.

O uso desse programa ajudará as autoridades a obter a verdadeira dimensão dessa caça ilegal. As estimativas atuais indicam que 73 milhões de tubarões são mortos todos os anos, ou seja, mais de 6% do volume atual. Segundo os especialistas, esse número é insustentável já que os tubarões demoram muito tempo para amadurecer sexualmente e geram poucas crias.

Por causa do seu uso em produtos farmacêuticos, na tradicional medicina chinesa e como sopa, a barbatana do tubarão é um bem apreciado por muitos. A prática de cortar a barbatana e jogar o animal de volta ao mar é comum, apesar de muitas nações já terem declarado ilegal a comercialização de barbatanas separadas da carcaça do animal.