Novo relatório da ONU aponta necessidade de mudanças no mecanismo econômico global

Superar as sérias fraquezas expostas pela crise econômica global não será facil, sendo necessária uma revisão significativa do mecanismo de financiamento internacional, ajuda e comércio, aponta novo relatório das Nações Unidas divulgado esta semana.

Diretor da Divisão de Política de Desenvolvimento e Análise do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA), Rob Vos. Foto: ONU.Superar as sérias fraquezas expostas pela crise econômica global não será facil, sendo necessária uma revisão significativa do mecanismo de financiamento internacional, ajuda e comércio.

É isto o que diz o novo relatório das Nações Unidas divulgado na última terça-feira (29). Para se alcançar a estabilidade, será preciso reformas na administração econômica global e novas formas de pensar, para que o mundo siga um caminho mais sustentável de desenvolvimento.

Segundo o Diretor da Divisão de Política de Desenvolvimento e Análise dentro do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA, na sigla em inglês), Rob Vos, uma das mensagens centrais do relatório é a de que muitas crises globais nos últimos anos – como as crises de alimentos, combustível e financeira – acontecem em decorrência de grandes falhas sistêmicas na economia mundial e fragilidades nos mecanismos de administração global.

A pesquisa denominada “Retooling Global Development” (Rearticulando o Desenvolvimento Global, em tradução livre) aponta que a crise financeira proporciona uma oportunidade de reexaminar e reformar o sistema global de administração, para que a interdependência econômica possa ser usada como combate à pobreza e não como fonte de instabilidade e desigualdades maiores.

Ajuda internacional e processos de comércio precisam ser reformulados para que governos tenham o espaço politico necessário para experimentar soluções apropriadas para a situação local. Muitos países em desenvolvimento sofrem com os fluxos de ajuda voláteis, o que prejudica os esforços de planejamento dos governos. Um ponto fundamental sobre a incoerência de políticas é a própria arquitetura do auxílio humanitário, internamente e na maneira com que interage com o comércio, a dívida e outras políticas financeiras.

A pesquisa propõe que países em desenvolvimento sejam ativos na identificação de lacunas financeiras através de estratégias de desenvolvimento nacional bem realizadas. Sobre o comércio, a pesquisa aponta que o tratamento igual para todas as nações efetivamente enviesa o comércio internacional de economias menores. Para que o sistema comercial multilateral caminhe em direção ao desenvolvimento sustentável, é preciso tanto expandir e quanto restringir o alcance das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para um reequilíbrio sustentável da economia global, a pesquisa diz ser necessária uma coordenação mais próxima do sistema de comércio, do novo regime para regulamentação financeira internacional, do sistema de reserva global e dos mecanismos para mobilização, além de canalizar financiamento para o desenvolvimento e fundos para o clima. No documento também é proposto que a comunidade internacional considere estabelecer um mecanismo de coordenação econômica além do Grupo das 20 principais economias emergentes (G20).


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