Exportações da América Latina e do Caribe crescerão 21,4% em 2010, aponta relatório da CEPAL

Segundo o estudo “Panorama da inserção internacional da América Latina e do Caribe 2009-2010”, a expansão comercial da última década deve-se mais a preços do que aos incrementos no valor agregado.

Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL)Segundo o estudo “Panorama da inserção internacional da América Latina e do Caribe 2009-2010”, a expansão comercial da última década deve-se mais a preços do que aos incrementos no valor agregado.

As exportações da América Latina e do Caribe crescerão 21,4% este ano, disparando dos -22,6% registrados 2009, impulsionadas principalmente pela venda de matérias-primas da América do Sul, segundo estimativas do novo relatório da CEPAL, divulgado nesta quinta-feira (2).

Segundo o estudo “Panorama da inserção internacional da América Latina e do Caribe 2009-2010: Crise originada no centro e recuperação impulsionada pelas economias emergentes”, esta estimativa deve-se, em grande medida, às exportações à Ásia, em particular a China, e a normalização da demanda dos Estados Unidos.

A taxa de crescimento das exportações da região à China passou de -2,2 no primeiro semestre de 2009, a 44,8% no mesmo período de 2010.

Todavia, existem grandes diferenças entre os países da região. O auge ocorreu nos países exportadores de matérias-primas (produtos agrícolas, agropecuários e mineração), principalmente na América do Sul, enquanto a expansão do comércio foi menor em países importadores de produtos básicos e relacionados ao turismo e remessas, como na América Central e no Caribe.

As diferenças por sub-região são significativas – segundo estimativas da CEPAL: este ano, as exportações do MERCOSUL crescerão 23,4% e, dos países andinos, 29,5%; embora as vendas do Mercado Comum Centro-americano aumentem apenas 10,8%. As exportações do México, por exemplo, terão um aumento de 16% e, do Panamá, 10,1%. As vendas do Chile, entretanto, aumentarão 32,6%.

O salto mais notório desde o período de plena crise em 2009 será da Comunidade do Caribe (CARICOM), cujas exportações passarão de uma queda de -43,6% para uma estimativa de aumento de 23,7% em 2010.

Balanço de uma década

O relatório também examina o desempenho comercial da região nos últimos dez anos, concluindo que o crescimento das exportações na década passada foi inferior ao da década de 1990, e inferior ao de outras regiões em desenvolvimento, tanto no valor quanto em volume. Todavia, os caminhos seguidos foram distintos na última década: Na América do Sul a taxa de expansão das exportações duplicou, enquanto no México e na América Central esta taxa de crescimento teve uma redução de mais de 50%.

Esta disparidade deve-se, em grande medida, ao fato de que as exportações que tiveram maior incremento foram as de recursos naturais da América do Sul, em detrimento às vendas de manufaturas e serviços com distintos graus de conteúdo tecnológico. Segundo o Relatório, isto levou a sub-região a retornar a uma estrutura exportadora baseada em matérias-primas similar à de 20 anos.

Enquanto em 1999 as matérias-primas compunham 26,7% do total das exportações da região, em 2009 estas compunham 38,8% do total.

As diferenças nas taxas de crescimento das exportações de matérias-primas em comparação com as de manufaturas reacomodaram pesos relativos aos das exportações do México, por um lado, e América do Sul por outro.

A participação do México nas exportações totais da região caiu de 40% em 2000, a 30% em 2009; enquanto o Brasil aumentava sua participação de 13% para cerca de 20% no mesmo período. A Argentina, o Chile, a Colômbia e o Peru também incrementaram sua participação no total das exportações, com base nas vendas de matérias-primas.

A região não pode melhorar a qualidade de sua inserção internacional e a expansão dos setores associados aos recursos naturais mas parece ter contribuído suficientemente para a criação das novas capacidades tecnológicas, afirma o relatório.

“A diversificação exportadora, um forte impulso à competitividade, e a inovação, bem como uma maior cooperação regional, permitirá que a América Latina e o Caribe melhorem a qualidade da sua inserção na economia global, fechando as diferenças de produtividade e aproveitando as oportunidades do comércio internacional para um crescimento com mais igualdade”, disse a Secretária Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, durante a apresentação do Relatório na Sede do organismo, no Chile.

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