Novo protocolo para manejo clínico de pacientes com dengue segue classificação atual da OMS

Entre as medidas preventivas está o uso de repelentes que contenham certas substâncias, aprovados também para grávidas. Foto: Governo do Estado do Rio de Janeiro

O Ministério da Saúde do Brasil lançou nesta quinta-feira (14) a nova edição do protocolo para manejo clínico dos pacientes com dengue. A publicação, que conta com o apoio técnico da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e outras instituições, inclui no diagnóstico diferencial as arboviroses chikungunya e zika, introduzidas no país nos últimos anos. Esta edição do protocolo também enfatiza a nova classificação de dengue da OMS, utilizada pelo Brasil desde 2014.

A definição atual da Organização enfatiza que a dengue é uma doença única, dinâmica e sistêmica. Ou seja, pode evoluir para a remissão dos sintomas ou agravar-se exigindo constante reavaliação e observação, para que as intervenções sejam oportunas e as mortes evitadas.

A dengue é a doença transmitida por vetores que se propaga mais rapidamente no mundo. Atualmente, essa enfermidade é endêmica, ocorrendo em um dado território e permanece provocando novos casos com frequência, em mais de 100 países localizados em cinco das seis regiões da OMS: África, Américas, Mediterrâneo Oriental, Sudeste da Ásia e Pacífico Ocidental.

A estimativa é que 2,5 bilhões de pessoas, mais de 40% da população mundial, estejam expostas ao risco de dengue. As regiões das Américas, Sudeste da Ásia e Pacífico Ocidental são as mais afetadas. Nas três, houve mais de 1,2 milhão de casos de dengue em 2008 e mais de 3 milhões em 2013, apresentando uma tendência de crescimento ao longo dos anos, segundo dados oficiais enviados pelos Estados-membros.

A doença tem se espalhado para outras localidades. Na Europa, foi registrada transmissão local de dengue na França e na Croácia, em 2010, e foram detectados três casos importados em três outros países do continente. Em 2012, um surto na ilha de Madeira, Portugal, resultou em mais de 2 mil casos. Em 2013, ocorreram casos nos Estados Unidos e na China. Em 2014, tendências indicam aumento no número de casos nas Ilhas Cook, Fiji, Malásia e Vanuatu. A doença também foi registrada no Japão após um intervalo de mais de 70 anos.

Entre as medidas de prevenção, a OPAS/OMS recomenda o uso de mosquiteiros, impregnados ou não com inseticidas, inclusão de telas em portas e janelas, uso de roupas que cubram ao máximo a exposição da pele, repelentes que contenham as substâncias DEET (N N-dietil-3-metilbenzamida), IR3535 (3-[N-acetil-N-butil]-éster etil ácido aminopropiónico) ou Icaridina (ácido-1 piperidinecarboxílico, 2-(2-hidroxietil)-1-metilpropilester), adicionando que não há evidência sobre restrição do uso desses repelentes em gestantes se forem usados de acordo com as instruções do rótulo do produto.