Novo ciclone atinge Moçambique seis semanas após o primeiro; ONU pede mais apoio

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lamentou neste domingo (28) os relatos de mortes e destruição em Moçambique e em Comores como resultado do ciclone tropical Kenneth, seis semanas após o ciclone Idai atingir Moçambique, Malauí e Zimbábue.

Guterres pediu à comunidade internacional mais recursos para uma resposta imediata e a médio e longo prazo. Guterres afirmou que as Nações Unidas e parceiros humanitários estão apoiando autoridades nacionais para avaliar necessidades e fornecer assistência.

Já o chefe humanitário da ONU destacou que o ciclone Kenneth marca a primeira vez que dois ciclones atingiram Moçambique durante a mesma temporada, comprometendo ainda mais os limitados recursos do governo. Malauí e Zimbábue também devem passar por fortes chuvas e enchentes.

O distrito de Macomia, em Cabo Delgado, Moçambique, foi duramente atingido pelo ciclone Kenneth, que chegou ao porto em 25 de abril. Foto: OCHA/Saviano Abreu

O distrito de Macomia, em Cabo Delgado, Moçambique, foi duramente atingido pelo ciclone Kenneth, que chegou ao porto em 25 de abril. Foto: OCHA/Saviano Abreu

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lamentou neste domingo (28) os relatos de mortes e destruição em Moçambique e em Comores como resultado do ciclone tropical Kenneth, seis semanas após o ciclone Idai atingir Moçambique, Malauí e Zimbábue.

Guterres pediu à comunidade internacional mais recursos para uma resposta imediata e a médio e longo prazo.

Em comunicado de Stéphane Dujarric, seu porta-voz, Guterres afirmou que as Nações Unidas e parceiros humanitários estão apoiando autoridades nacionais para avaliar necessidades e fornecer assistência.

“O secretário-geral está profundamente entristecido com relatos de mortes e destruição em Moçambique e Comores (…). Ele estende suas condolências e solidariedade às famílias das vítimas e aos governos e povos de Moçambique e Comores”, afirmou o porta-voz.

Em atualização no domingo (28), o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) afirmou que o ciclone, com ventos poderosos que quebraram telhados de casas, causou a morte de ao menos cinco pessoas em Moçambique. As mortes aconteceram na cidade de Pemba, no distrito de Macomia e na ilha de Ibo, de acordo com relatos do governo.

Em torno de 3.500 casas em Comores – uma república federal insular no Oceano Índico, localizado no extremo norte do canal de Moçambique, na costa oriental da África – foram totalmente ou parcialmente destruídas. Há relatos de apagões, bloqueios em estradas e desabamento de ao menos uma ponte, de acordo com o PMA.

A ONU e parceiros estão na região desde o final de maio, quando o ciclone Idai chegou à cidade de Beira, na área central de Moçambique. O ciclone continuou pela terra como tempestade tropical e atingiu o leste do Zimbábue, o sul do Malauí e partes de Madagascar com chuvas e ventos fortes.

Na sexta-feira (26), o chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock, lamentou que a devastação provocada pelo ciclone Idai em Moçambique, matando pelo menos 500 pessoas. O ciclone também deu início a uma epidemia de cólera e devastou plantações no país, colocando 1 milhão de pessoas em necessidade de assistência alimentar para sobreviver.

Lowcock destacou que o ciclone Kenneth marca a primeira vez que dois ciclones atingiram Moçambique durante a mesma temporada, comprometendo ainda mais os limitados recursos do governo. Malauí e Zimbábue também devem passar por fortes chuvas e enchentes causadas pelo ciclone Kenneth.

“O ciclone Kenneth pode exigir uma nova grande operação humanitária ao mesmo tempo em que a resposta em andamento ao ciclone Idai, voltada para 3 milhões de pessoas, continua criticamente subfinanciada”, afirmou Lowcock.

“As famílias cujas vidas viraram de cabeça para baixo após estes desastres relacionados ao clima precisam urgentemente da generosidade da comunidade internacional para sobreviver ao longo dos próximos meses.”