Novo acordo de paz na República Centro-Africana é apenas um passo, diz enviado

Apesar da assinatura de um recente acordo de paz entre o governo da República Centro-Africana (RCA) e 14 grupos armados, “não devemos esquecer que a situação no país continua séria”, disse um enviado da ONU ao Conselho de Segurança na semana passada (21).

“O mais difícil está por vir. O teste real será a implementação plena e de boa fé do acordo”, disse Parfait Onanga-Anyanga, representante especial do secretário-geral da ONU e chefe da missão das Nações Unidas na RCA.

Patrulha do MINUSCA em Bangui, capital da República Centro-Africana. Foto: ONU/Catianne Tijerina (arquivo)

Patrulha do MINUSCA em Bangui, capital da República Centro-Africana. Foto: ONU/Catianne Tijerina (arquivo)

Apesar da assinatura de um recente acordo de paz entre o governo da República Centro-Africana (RCA) e 14 grupos armados, “não devemos esquecer que a situação no país continua séria”, disse um enviado da ONU ao Conselho de Segurança na semana passada (21).

“A assinatura do Acordo Global para a Paz e Reconciliação Nacional em 6 de fevereiro é o resultado de um longo processo”, disse Parfait Onanga-Anyanga, representante especial do secretário-geral da ONU e chefe da missão das Nações Unidas na RCA.

Em seu último briefing ao Conselho, Onanga-Anyanga lembrou que após uma transição difícil, novas instituições legítimas e democráticas foram instaladas. “A população da RCA percorreu um longo caminho e, apesar dos inúmeros desafios, merece admiração e encorajamento”, acrescentou.

Desde que o conflito começou na RCA em 2012, devido aos combates entre a maioria cristã da milícia anti-Balaka e a principal coalizão rebelde muçulmana do Séléka, milhares de civis foram mortos e duas em cada três pessoas na pequena nação africana se tornaram dependentes de assistência humanitária.

“Embora tenhamos razão em saudar o fato de que nossos esforços multifacetados permitiram esse importante avanço político na República Centro-Africana, devemos permanecer vigilantes porque a situação continua séria”, disse o enviado da ONU, acrescentando: “o destino insuportável de refugiados e pessoas deslocadas, bem como as cenas de violência sem sentido e as muitas vítimas [são uma lembrança incômoda] disso”.

Onanga-Anyanga salientou que a assinatura do acordo de paz era um “passo necessário e decisivo, certamente, mas apenas um passo”. “O mais difícil está por vir. O teste real será a implementação plena e de boa fé do acordo”, explicou ele.

Com isso em mente, ele pediu a todas as partes interessadas que honrem os compromissos que fizeram sob o acordo e não traiam a confiança depositada neles pelo povo da RCA e por todos aqueles que os acompanharam durante todo o processo de paz.

“O país hoje tem a oportunidade de abrir uma nova página cheia de promessas e definitivamente vira as costas para uma história dolorosa”, disse Onanga-Anyanga, pedindo que as partes sempre busquem o diálogo para sustentar o novo consenso político e social apresentado pelo acordo de 6 de fevereiro.

O enviado da ONU disse que o papel dos garantidores do acordo, especialmente dos países vizinhos da região, assim como dos facilitadores, será decisivo para a plena realização do acordo. Ele saudou a iniciativa conjunta das Nações Unidas e da União Africana de realizar uma reunião do Grupo de Apoio Internacional da RCA na sexta-feira (22).

Onanga-Anyanga disse que o apoio do Conselho de Segurança, dos países da região e da comunidade internacional em geral continua sendo essencial para o sucesso da implementação do acordo de paz.

Finalmente, ele saudou o sacrifício de soldados da paz que foram mortos na RCA. “Essas forças de paz deram suas vidas para ajudar, proteger e confortar o povo da RCA e apoiar as jovens instituições democráticas do país quando ameaçadas”, disse ele.

Este foi o último briefing de Onanga-Anyanga ao Conselho de Segurança como representante especial da RCA. Liderando a Missão Multidimensional de Estabilização Integrada da ONU na República Centro-Africana (MINUSCA) desde agosto de 2015, Onanga-Anyanga será sucedido por Mankeur Ndiaye, do Senegal.