Nova onda de refugiados aumenta violência em acampamentos na África

Os acampamentos para refugiados em países da África alcançaram o limite. Na Etiópia já são mais de 70 mil pessoas, enquanto no Quênia a pressão sobre o complexo de Dadaab desencadeou atos de violência.

Os acampamentos para refugiados em países da África alcançaram o limite. Na Etiópia já são mais de 70 mil pessoas, enquanto no Quênia a pressão sobre o complexo de Dadaab desencadeou atos de violência. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) informou que dois refugiados foram mortos e cerca de dez ficaram feridos.

Os tumultos começaram na última quinta-feira (30/06), quando a polícia queniana tentou dispersar uma multidão que protestava contra a demolição de estruturas ilegais montadas em torno de um ponto de distribuição de alimentos. Gás lacrimogêneo e munições foram usados.

Refugiados somalis recém-chegados aguardam registro em acampamento. Foto: ACNUR/ E.Hockstein

Refugiados somalis recém-chegados aguardam registro em acampamento. Foto: ACNUR/ E.Hockstein

“Infelizmente, este incidente é sintomático das pressões no acampamento em meio à superlotação, agravada pelo elevado número de somalis que chegaram”, disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards. Mais de 61 mil somalis têm buscado proteção no Quênia neste ano, o que elevou o número total de pessoas que vivem nos três campos de Dadaab para mais de 370 mil. Um novo local, Ifo II, já está pronto para receber refugiados, mas a autorização oficial de abertura não foi concedida.

A Etiópia também enfrenta uma nova onda de chegadas, com 55 mil pessoas desde o início deste ano. Mais de um quarto deles estão subnutridos, e entre as crianças essa taxa é ainda mais elevada: três em cada cinco.

Para fornecer proteção e abrigo a todos, um terceiro campo no sudeste do país foi aberto na última sexta-feira (01/07), mas a capacidade máxima será atingida em questão de dias, informou a agência, que já deu início ao transporte dos refugiados.

Existem atualmente mais de 750 mil refugiados somalis vivendo na região, principalmente no vizinho Quênia (405 mil), no Iêmen (187 mil) e na Etiópia (110 mil). Outros 1,46 milhão de pessoas estão deslocadas dentro da Somália.